Os bancos centrais da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) estão a avaliar os desafios da dívida pública, da inflação e dos choques externos, num contexto de pressões fiscais, riscos climáticos e ameaças cibernéticas. Os temas marcaram a 63.ª reunião do Comité dos Governadores dos Bancos Centrais da organização, realizada em Luanda.

Na abertura do encontro, o governador do Banco de Reserva da África do Sul (SARB), Lesetja Kganyago, que preside ao comité, defendeu o reforço da preparação e da cooperação regional para responder a estas ameaças.

O responsável apontou os efeitos da guerra no Médio Oriente sobre os custos e a disponibilidade de fertilizantes, a par dos riscos associados ao fenómeno climático El Niño. Destacou também a importância de melhorar os pagamentos transfronteiriços para aprofundar a integração económica.

Por sua vez, o governador do Banco Nacional de Angola (BNA), Manuel Tiago Dias, afirmou à imprensa que o encontro permitiu analisar os indicadores de convergência macroeconómica e partilhar experiências entre os países da região.

A dívida pública esteve entre as principais preocupações, pelas suas implicações para a estabilidade de preços e para a capacidade dos Estados cumprirem os compromissos financeiros.

“Por isso, no âmbito dos diversos indicadores de convergência macroeconómica, houve uma ampla reflexão sobre o rácio da dívida sobre o Produto Interno Bruto (PIB)”, afirmou.

Tiago Dias acrescentou que os bancos centrais vão manter o diálogo com os governos sobre uma eventual revisão do critério relativo à dívida pública. Recordou que o limite de referência é de 60% do PIB e que qualquer alteração depende da aprovação dos governos da SADC.

No domínio da inflação, o governador do BNA destacou a estabilidade de preços como uma prioridade dos bancos centrais. Em Angola, a taxa de inflação homóloga situou-se em 8,43% em Setembro, mantendo-se acima do intervalo de referência de 3% a 7% estabelecido nos critérios de convergência regional.

Apesar de o país já registar uma inflação de um dígito, Tiago Dias defendeu a necessidade de “continuar a trabalhar para que a inflação se situe abaixo de 7%”, aproximando Angola dos objectivos regionais.

Fonte: Lusa