A Organização Mundial da Saúde (OMS) propôs a adopção de seis medidas sanitárias e climáticas de custo relativamente baixo que poderão evitar 1,6 milhão de mortes por ano e gerar biliões de dólares em benefícios económicos e fiscais.
De acordo com um relatório da organização, citado pela Lusa, as medidas poderão gerar benefícios económicos anuais de 3,9 biliões de dólares, aos quais se juntarão outros 5,4 biliões de dólares em benefícios fiscais.
Entre as propostas estão a instalação de sistemas de alerta sanitário para ondas de calor, o reforço dos serviços de abastecimento de água potável resilientes às alterações climáticas e o investimento em infra-estruturas básicas de saneamento, higiene e lavagem das mãos.
A lista inclui ainda o recurso a combustíveis mais limpos para cozinhar e aquecer as habitações, bem como políticas de fixação de preços dos combustíveis fósseis, através da eliminação de subsídios considerados ineficientes e da aplicação de impostos sobre o seu consumo.
Segundo a OMS, a implementação destas medidas permitirá evitar uma em cada 40 mortes anuais e reduzir significativamente os riscos para a saúde associados às alterações climáticas e à poluição.
“O relatório demonstra que a aplicação de medidas eficazes e acessíveis poderia salvar milhões de vidas, com os maiores benefícios nos países que mais precisam delas”, afirmou o director-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus.
Por sua vez, Frank Pega, responsável pela área de Clima, Saúde e Economia da organização, considerou que estas intervenções representam “uma das maiores oportunidades de investimento em saúde do século XXI”, com retornos económicos que poucas outras iniciativas poderiam igualar.
A OMS estima que cada dólar investido nas seis medidas gerará 24 dólares em benefícios. No caso dos sistemas de alerta sanitário para ondas de calor, o retorno chegará aos 835 dólares por cada dólar investido.
Segundo as projecções da organização, as políticas de fixação de preços dos combustíveis fósseis permitirão evitar 1,2 milhão de mortes por ano e gerar benefícios anuais de 3 biliões de dólares.
Além dos ganhos para a saúde pública e para as finanças, a implementação das medidas poderá contribuir para evitar a emissão de 16,7 mil milhões de toneladas de dióxido de carbono, o equivalente a 31% das emissões anuais de gases com efeito de estufa, excluindo as provenientes do uso da terra e da silvicultura.
Com a Conferência das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas (COP31) marcada para 9 de Novembro, em Antalya, na Turquia, o director-geral da OMS defendeu que a protecção da saúde deve ocupar um lugar central nas negociações climáticas.





