Durante a sessão ordinária da Assembleia da República, o chefe da bancada parlamentar da Renamo, Jerónimo Malagueta, criticou duramente a aprovação, pela bancada da Frelimo, de uma adição de 3,754 mil milhões de meticais provenientes das receitas do gás no Plano Económico Social e Orçamento de Estado de 2026.

Segundo o Canal de Moçambique, a Renamo defende que esta verba deveria ser canalizada para liquidar dívidas acumuladas com o pagamento de horas extras aos professores.

Malagueta apontou que o Governo continua a invocar a falta de fundos para pagar aos docentes, mas surpreende ao alocar verbas para outras áreas de forma repentina. O dirigente parlamentar argumentou que a intenção governamental de gastar este montante em infra-estruturas nos últimos dois meses do ano é irrealista e constitui uma forma irregular de gestão dos dinheiros públicos.

Críticas ao sector empresarial do Estado e à LAM

O debate parlamentar também foi marcado por fortes críticas de outras forças da oposição em relação à governação e à gestão de empresas públicas. O chefe da bancada do Movimento Democrático de Moçambique (MDM), Fernando Bismarque, classificou o Instituto Nacional de Segurança Social (INSS) como um “ninho de raposas”, alertando para os riscos à sustentabilidade do fundo de pensões dos trabalhadores. Bismarque também condenou os casos de corrupção e os acordos de aluguer de aviões obsoletos na Linhas Aéreas de Moçambique (LAM), considerando-os negócios ruinosos.

Por sua vez, Sebastião Mussanhane, chefe da bancada do Partido Optimista para o Desenvolvimento de Moçambique (PODEMOS), defendeu mecanismos mais eficazes de supervisão e gestão empresarial na LAM, sublinhando que os atrasos e a instabilidade operacional continuam a minar a confiança dos passageiros e dos parceiros económicos na transportadora de bandeira nacional.

Prioridades orçamentais e riscos climáticos

Em paralelo, a Presidente da Assembleia da República, Margarida Talapa, destacou que o Plano Económico e Social e Orçamento do Estado (PESOE) para 2027 deve priorizar sectores vitais como educação, saúde, agricultura e segurança alimentar. Talapa alertou ainda para os riscos associados ao fenómeno “El Niño”, que tem intensificado as vulnerabilidades das populações devido à irregularidade das chuvas e à seca.

Imagem: DR

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