A Câmara de Comércio de Moçambique (CCM) lançou, esta terça-feira, 3 de Novembro, em Maputo, o Prémio Anual de Responsabilidade Social, uma iniciativa que visa reconhecer empresas, organizações e indivíduos que desenvolvem projectos com impacto positivo nas comunidades e contribuem para o desenvolvimento social e económico do País.
A iniciativa pretende incentivar o sector empresarial a assumir um papel mais activo na resolução dos desafios sociais, através de investimentos em áreas como educação, saúde, ambiente, desporto comunitário, cultura e artes, cidadania e jornalismo. O prémio terá abrangência nacional e não será exclusivo das grandes empresas, estando também aberto a pequenas e médias empresas, instituições públicas e iniciativas individuais ou colectivas.
Durante a cerimónia de lançamento, a vice-presidente da CCM, Ilda Matabel, afirmou que “a responsabilidade social empresarial vai além do cumprimento das obrigações legais”, defendendo que as empresas devem participar activamente na construção de uma sociedade mais justa e inclusiva. Segundo a responsável, existem no País organizações que desenvolvem projectos nas áreas da educação, da saúde, da protecção ambiental e da formação de jovens, mas cujas iniciativas nem sempre recebem o devido reconhecimento.
“Queremos dar visibilidade a essas boas práticas, valorizar os seus promotores e incentivar outras empresas a seguirem exemplos”, afirmou Matabel, acrescentando que o prémio deverá funcionar também como uma plataforma de partilha de experiências e aproximação entre o sector empresarial, as instituições públicas e a sociedade civil.
A organização explicou que a iniciativa pretende distinguir acções que produzam mudanças concretas nas comunidades, afastando-se de uma abordagem limitada à filantropia ou a intervenções pontuais.
A CCM esclareceu que poderão candidatar-se projectos em curso há pelo menos um ano ou iniciativas já concluídas em 2026. Para o efeito, as entidades interessadas deverão apresentar relatórios de investimento social que permitam avaliar as actividades desenvolvidas e os resultados alcançados.
Por sua vez, a representante do Ministério da Educação e Cultura, que interveio na qualidade de secretária Permanente Substituta, considerou que o prémio constitui uma oportunidade para reforçar a participação do sector privado no desenvolvimento nacional, particularmente na educação e na cultura. Na sua intervenção, afirmou que “o desenvolvimento de um país não se mede exclusivamente pelo crescimento da sua economia, pelo volume de investimentos realizados ou pelos indicadores de produção e produtividade, mas também pela capacidade de melhorar as condições de vida da população”.
A executiva apelou ao envolvimento das empresas na construção e reabilitação de escolas, disponibilização de materiais e equipamentos de aprendizagem, atribuição de bolsas de estudo e formação técnico-profissional. Na área cultural, destacou a importância do apoio à preservação do património nacional, à promoção das artes e à valorização dos artistas e criadores moçambicanos. “A responsabilidade social não deve ser encarada como um custo adicional da actividade empresarial, mas como um investimento no desenvolvimento sustentável”, defendeu.
O calendário apresentado prevê que as candidaturas decorram entre Janeiro e Março de 2027, seguindo-se, entre Abril e Junho, as fases de monitoria, avaliação e selecção dos projectos. A cerimónia de premiação está prevista para Junho ou Julho do mesmo ano. Os critérios de participação e avaliação deverão ser disponibilizados nos canais digitais do projecto e da Câmara de Comércio.
A selecção será conduzida por um júri independente, constituído por especialistas em responsabilidade social, sustentabilidade e outras áreas relevantes. Entre os indicadores de avaliação estarão o impacto social das iniciativas, a sua sustentabilidade, a diversidade geográfica e sectorial dos projectos e os resultados alcançados nas comunidades.
Com o lançamento do prémio, a CCM pretende incentivar uma maior participação das empresas na resposta aos desafios sociais do País, promovendo parcerias entre os sectores público e privado e uma cultura empresarial orientada não apenas para os resultados económicos, mas também para o bem-estar das comunidades.
Texto: Germano Ndlovo





