O Governo afirma que ainda não foi formalmente informado sobre a conclusão das negociações com os transportadores rodoviários para a revisão das tarifas, apesar do anúncio de um aumento de cinco meticais a partir de 7 de Novembro na área metropolitana de Maputo.
Segundo a agência Lusa, a posição foi avançada pelo porta-voz do Conselho de Ministros, Inocêncio Impissa, no final de uma reunião daquele órgão, após ser questionado sobre a decisão anunciada pela Federação Moçambicana das Associações dos Transportadores Rodoviários (Fematro).
De acordo com o governante, as conversações continuam a decorrer através do Ministério dos Transportes e Logística, que acompanha o processo e mantém contacto com os representantes dos transportadores.
“A Fematro disse estar a negociar. Há um sector específico que está a interagir com a Fematro”, afirmou Inocêncio Impissa.
A Federação anunciou que pretende aumentar em cinco meticais as tarifas dos transportes semicolectivos de passageiros na região metropolitana de Maputo, a partir de 7 de Novembro, justificando a decisão com o agravamento dos custos operacionais, sobretudo dos combustíveis.
Embora ainda não tenha recebido uma comunicação formal sobre o encerramento das negociações, o Governo admite a possibilidade de uma actualização tarifária, em resposta às dificuldades apresentadas pelos operadores.
“A Fematro também já se referiu, disse que está a negociar. Então, há um sector específico que está a interagir com a Fematro”
Inocêncio Impissa
“Temos estado a anunciar que, eventualmente, poder-se-á abrir a possibilidade de haver estas actualizações em função de, efectivamente, o esforço que tem sido feito pelos transportadores”, declarou o porta-voz.
Os transportadores associam o aumento dos custos operacionais à subida dos preços dos combustíveis nos mercados internacionais, num contexto marcado pelas tensões no Médio Oriente e pelas perturbações no tráfego marítimo através do Estreito de Ormuz.
Inocêncio Impissa reiterou, contudo, que o Executivo pretende continuar a garantir transportes públicos subvencionados, de modo a reduzir o impacto dos custos de mobilidade sobre a população.
“Também temos estado a garantir que os transportes públicos estarão disponíveis para os cidadãos, a preços bonificados que têm sido feitos exactamente para garantir que a maior parte da população continue a ter transportes a um preço acessível”, afirmou.
“Temos estado a anunciar que, eventualmente, poder-se-á abrir a possibilidade de haver estas actualizações em função de, efectivamente, o esforço que tem sido feito pelos transportadores”
Inocêncio Impissa
A posição surge depois de, a 13 de Outubro, o Governo ter admitido que não poderá manter indefinidamente os subsídios aos transportadores para compensar o aumento dos combustíveis, defendendo a procura de alternativas para responder à subida dos custos de operação.
Na ocasião, Inocêncio Impissa explicou que o apoio financeiro concedido aos operadores tinha carácter temporário e esteve em vigor entre Junho e Agosto deste ano, período durante o qual o Executivo esperava uma melhoria das condições nos mercados internacionais de energia.
O prolongamento das tensões internacionais e os seus efeitos sobre os mercados energéticos alteraram, entretanto, esse cenário. “Há de ser eventualmente insustentável continuar a subsidiar por todo o tempo”, declarou o governante, reiterando que o Governo continuará a procurar soluções para proteger os utentes do transporte público.





