Mais de 1200 pessoas foram obrigadas a abandonar as suas casas devido a ataques e ao receio de novas incursões de grupos armados nos distritos de Mocímboa da Praia, Macomia, Muidumbe e Meluco, na província moçambicana de Cabo Delgado, entre 14 e 27 de Outubro, segundo a Organização Internacional para as Migrações (OIM).
De acordo com o mais recente relatório do mecanismo de monitorização de deslocações de emergência (ETT) da OIM, a violência provocou a deslocação de 1235 pessoas, pertencentes a 316 agregados familiares. Entre os deslocados encontram-se 584 crianças, 386 mulheres e 265 homens.
Segundo a Lusa, a organização identificou ainda 87 mulheres grávidas, 58 pessoas com mais de 60 anos, 18 pessoas com deficiência e quatro crianças desacompanhadas ou separadas das famílias.
A alimentação constitui a principal necessidade das populações afectadas, assinalada em 88% dos locais avaliados, seguindo-se o abrigo (71%) e os cuidados de saúde (44%).
Mocímboa da Praia registou o maior número de deslocados, com 785 pessoas, seguindo-se o posto administrativo de Chai, no distrito de Macomia, com 242, e Mucojo, no mesmo distrito, com 106. Foram também registadas deslocações nos distritos de Muidumbe e Meluco.
A maioria dos deslocados, 939 pessoas (76%), foi acolhida por comunidades locais, enquanto as restantes 296 (24%) se dirigiram para centros de reassentamento.
Cabo Delgado enfrenta, desde 2017, uma insurgência armada que já provocou mais de 6600 mortos e 1,3 milhão de deslocados, segundo dados de organizações internacionais.
A persistência da violência tem agravado a crise humanitária na província. Segundo o relatório das Nações Unidas “Moçambique: O Custo da Inacção”, divulgado em Setembro, os incidentes relacionados com o conflito aumentaram 10% no primeiro semestre de 2026, em comparação com o período homólogo de 2025, ultrapassando as 400 ocorrências.





