Os principais índices asiáticos terminaram a sessão desta terça-feira (3) com perdas em praticamente toda a linha, pressionados pelo sell-off vivido do outro lado do Atlântico na sessão de segunda-feira. Também o aumento da cautela dos investidores antes de se realizarem as eleições intercalares nos Estados Unidos da América (EUA) acabou por agravar as perdas.

Enquanto pelo Japão as negociações estiveram encerradas devido a um feriado nacional, na China, o Hang Seng de Hong Kong subiu 0,41% e o Shanghai Composite perdeu 0,82%. Quanto a Taiwan, o TWSE recuou 3,59% e o sul-coreano Kospi desvalorizou também 3,59%.

A queda dos índices de Taiwan e da Coreia do Sul – com uma forte exposição às cotadas ligadas à Inteligência Artificial (IA) – surgiu depois de um índice de fabricantes norte-americanos de semicondutores ter prolongado uma série de três sessões consecutivas de perdas, acumulando uma desvalorização de 12%. O Nasdaq 100 recuou entretanto mais de 10% face ao máximo histórico, entrando em território de correcção técnica. Os futuros das bolsas norte-americanas e europeias também negoceiam em baixa nesta manhã.

Nesta linha, tanto a Samsung Electronics como a SK Hynix recuarem mais de 4%.

Pela China, as acções recuaram apesar de o banco central ter anunciado que vai incentivar as instituições financeiras a recorrerem mais aos instrumentos de apoio ao mercado accionista e a optimizar as respectivas condições, numa tentativa das autoridades de reforçar a estabilidade dos mercados.

“Os mercados estão sobretudo num ambiente de aversão ao risco, num contexto de crescentes preocupações com a IA e das eleições intercalares nos EUA”, afirmou à Bloomberg Kieran Calder, responsável pela investigação sobre acções asiáticas no Union Bancaire Privée. “Analisamos todas as eleições intercalares norte-americanas desde 1950 e concluímos que o S&P 500 estava sempre em alta seis meses depois. Se esta tendência se mantiver, esperamos uma subida dos mercados até ao final do ano, embora esta possa ser uma semana volátil”, acrescentou.

A pesar também sobre o sentimento dos investidores está o facto do petróleo Brent ter subido durante a negociação na Ásia, depois de ter afundado quase 8% na segunda-feira, numa altura em que tanto os Estados Unidos como o Irão manifestaram disponibilidade para avançar com negociações de paz, enquanto a guerra no Médio Oriente entra no seu nono mês.