Angola está a explorar novas parcerias com empresas sul-coreanas para desenvolver o sector da energia solar, com foco na transferência de tecnologia, na formação de quadros e na atracção de investimento privado. A iniciativa ganhou impulso após a visita do ministro angolano da Energia e Águas, João Baptista Borges, às instalações da empresa solar Hanwha Qcells, em Seul, durante uma deslocação de trabalho à Coreia do Sul, realizada entre 26 e 31 de Outubro de 2026.
Durante a visita, a delegação angolana conheceu as várias etapas de produção de equipamentos fotovoltaicos, desde o tratamento das matérias-primas até ao controlo de qualidade dos módulos, passando pelo fabrico de células e pela montagem de painéis solares. Na ocasião, a direcção da Hanwha Qcells manifestou interesse em estabelecer formas de cooperação com Angola, sobretudo nas áreas de transferência de tecnologia, formação em gestão e criação de condições para o investimento privado. Contudo, nesta fase, não foi assinado qualquer acordo vinculativo.
A deslocação incluiu também encontros com representantes da Korea Electric Power Corporation e da Korea Energy Agency, durante os quais foram analisadas possibilidades concretas de cooperação energética entre os dois países. O programa foi confirmado pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros da Coreia do Sul. Esta aproximação poderá permitir a Angola beneficiar de conhecimentos industriais e competências técnicas especializadas, enquanto as empresas sul-coreanas encontram oportunidades num mercado que procura aumentar a produção de energia e alargar o acesso à electricidade.
O interesse na cooperação surge num momento em que Angola está a desenvolver centrais solares independentes para fornecer electricidade a zonas ainda não abrangidas pela rede nacional. Em paralelo, o País está a expandir e a modernizar as infra-estruturas de transporte e distribuição de energia. Estes investimentos abrem duas áreas de oportunidade para o sector privado: a construção de centrais solares de grande dimensão, com contratos de compra de energia, e o desenvolvimento de mini-redes, sistemas descentralizados e equipamentos para as redes eléctricas.
A participação crescente de empresas privadas neste mercado é demonstrada por projectos já em desenvolvimento. De acordo com a análise da Further Africa aos dados disponíveis, a empresa Masdar, sediada em Abu Dhabi, assinou, em Janeiro de 2026, um contrato de compra de energia com a estatal Rede Nacional de Transporte de Electricidade (RNT). O acordo está relacionado com o projecto Quipungo Solar PV, com capacidade de 150 megawatts (MW), integrado no Project Royal Sable, um programa de energia solar de 500 MW que prevê a instalação de centrais em várias localidades de Angola.
Embora estes projectos não estejam relacionados com as conversações entre Angola e a Coreia do Sul, demonstram que o mercado angolano está a criar oportunidades para fornecedores de equipamentos, empresas de engenharia e financiadores de projectos. A aproximação às empresas sul-coreanas enquadra-se, assim, na estratégia de Angola de diversificar as suas parcerias no sector energético e atrair investimento para diferentes áreas da cadeia de produção e distribuição de electricidade.
Apesar das oportunidades identificadas, o principal desafio será transformar o interesse manifestado em projectos concretos. A tecnologia sul-coreana poderá contribuir para aumentar o acesso à electricidade nas zonas rurais e modernizar a rede nacional, mas a concretização destes objectivos dependerá da assinatura de futuros acordos e do cumprimento dos compromissos de implementação. Por outro lado, a visita permitiu às empresas coreanas avaliar as oportunidades existentes em toda a cadeia energética angolana, desde a produção de electricidade até ao transporte, distribuição e electrificação rural.
Para os investidores, a evolução destas parcerias dependerá sobretudo das condições dos concursos públicos, dos mecanismos de pagamento e da capacidade de execução dos projectos no terreno. A publicação de novos concursos até ao início de 2027 será um dos principais indicadores para perceber se o interesse demonstrado nas conversações e nas visitas industriais se traduzirá em novas instalações de produção de energia e numa cooperação industrial efectiva entre Angola e a Coreia do Sul.
Fonte: Further Africa





