A Corporação Africana Financeira (AFC) anunciou a selecção de consórcios que integram a portuguesa Mota-Engil e a brasileira Odebrecht Engenharia e Construção para a arquitectura de 830 quilómetros da nova linha ferroviária do Corredor do Lobito, que vai ligar Angola à Zâmbia. O projecto pretende reforçar as ligações ferroviárias e facilitar o transporte de mercadorias entre os dois países.

Segundo um comunicado citado pela Lusa, a Mota-Engil integra o consórcio seleccionado para o troço zambiano, juntamente com o grupo italiano Webuild S.p.A. e a empresa turca IC İçtaş Construction. A empresa portuguesa participa também no consórcio escolhido para o troço angolano, em parceria com a brasileira Odebrecht Engenharia e Construção.

Nesta fase, os consórcios são considerados concorrentes preferenciais, o que significa que a selecção ainda não corresponde à adjudicação definitiva dos contratos. As negociações deverão começar em Novembro próximo e decorrer durante oito a 12 semanas, segundo a AFC.

A nova linha ferroviária vai ligar a Zâmbia à costa atlântica de Angola, através do Corredor do Lobito, que abrange também a República Democrática do Congo. A infra-estrutura deverá facilitar o transporte de minerais estratégicos, como cobre e cobalto, e de produtos agrícolas, contribuindo para reduzir os custos logísticos e melhorar o acesso aos mercados internacionais.

O projecto é desenvolvido pela AFC através da Trans African Rail Company FZCO (TARC), empresa responsável pelo empreendimento, e das sociedades Zambia Lobito Railway Limited e Zambia Lobito Railway S.A. O processo teve início em Outubro de 2023, com a assinatura do primeiro memorando de entendimento entre os Governos de Angola e da Zâmbia, a União Europeia, o Governo italiano e o Banco Africano de Desenvolvimento.

Após esse acordo, foram realizados estudos técnicos e de viabilidade. Em 2024, foram assinados os acordos de concessão e, em 2025, os acordos intergovernamentais. Foram também concluídos os estudos preliminares de engenharia, preparando o projecto para as fases seguintes de contratação e desenvolvimento da linha ferroviária.

O Corredor do Lobito e os projectos associados contam com o apoio financeiro de várias instituições internacionais. A Corporação Financeira de Desenvolvimento Internacional dos Estados Unidos da América participa com cerca de 478 milhões de euros, enquanto o Banco de Desenvolvimento da África Austral concede um empréstimo de 173 milhões de euros. A União Europeia apoia igualmente a iniciativa através do programa Global Gateway.

Entre os restantes financiadores estão a Agência Francesa de Desenvolvimento, com cerca de 150 milhões de euros, e o Banco Mundial, através de projectos complementares. O plano italiano Mattei prevê ainda um mecanismo de financiamento de 250 milhões de euros. Estes recursos destinam-se a apoiar o desenvolvimento do Corredor do Lobito e das infra-estruturas associadas.