A Syrah Resources, empresa australiana que explora grafite na mina de Balama, província de Cabo Delgado, norte de Moçambique, reportou que a sua produção aumentou para 19 mil toneladas no terceiro trimestre de 2026, face às 6,6 mil toneladas registadas no trimestre anterior. A empresa prevê iniciar as primeiras vendas comerciais de materiais para baterias de veículos eléctricos nos Estados Unidos da América (EUA) ainda este ano.

Segundo o relatório trimestral de actividades citado pela Lusa, as vendas de grafite atingiram 18 mil toneladas, mais do dobro das oito mil toneladas comercializadas no segundo trimestre. A mineradora classificou o período em análise como de forte desempenho operacional, com uma taxa de recuperação de 88% e um teor médio de carbono de 95% no concentrado produzido.

De acordo com a entidade, o preço médio de venda fixou-se em 583 dólares por tonelada, enquanto o custo operacional unitário atingiu 581 dólares, reflectindo uma margem reduzida num mercado internacional marcado pela pressão sobre os preços, atribuindo parte destes constrangimentos ao excesso de oferta proveniente da China, que continua a condicionar a procura e os preços da grafite nos mercados internacionais.

Nos Estados Unidos, a empresa fez saber que prossegue o aumento gradual da produção na unidade industrial de Vidalia, no estado de Louisiana, que utiliza grafite extraída em Moçambique para fabricar materiais destinados às baterias de veículos eléctricos.

De acordo com o relatório, as primeiras vendas comerciais de Vidalia são esperadas no quarto trimestre de 2026, após a conclusão dos processos de qualificação dos clientes, considerando que esta etapa será importante para assegurar novos contratos e sustentar a expansão futura da unidade.

A posição de caixa da Syrah situava-se em 76 milhões de dólares no final de Setembro, incluindo fundos sujeitos a restrições relacionadas com financiamentos da International Development Finance Corporation (DFC) e do Departamento de Energia dos Estados Unidos. Durante o trimestre, a empresa recebeu ainda um desembolso adicional de 15 milhões de dólares da DFC.

A companhia mantém o objectivo de elevar a produção anual de Balama para entre 200 mil e 240 mil toneladas, meta anunciada em Maio, sustentada pelas perspectivas de crescimento da indústria mundial de baterias.

“Consideramos a mina moçambicana um activo estratégico para a diversificação do abastecimento ocidental de grafite natural, num sector actualmente dominado pela China. As operações no País já geraram uma contribuição económica acumulada de 627 milhões de dólares, incluindo 4,4 milhões de dólares destinados a projectos comunitários. A força de trabalho da operação é composta por cerca de 90% de trabalhadores nacionais”, descreveu.