A província de Sofala identificou cerca de 436 mil pessoas em risco de serem afectadas por fenómenos climáticos extremos durante a época chuvosa 2026-2027. As autoridades aprovaram um plano de contingência avaliado em 43 milhões de meticais para responder a possíveis ciclones, inundações e períodos de seca associados ao fenómeno El Niño.

Cerca de 436 mil pessoas estão em risco de serem afectadas por desastres naturais na província de Sofala, centro de Moçambique, durante a época chuvosa 2026-27, marcada por previsões de fenómenos climáticos extremos associados ao El Niño. Perante este cenário, as autoridades provinciais activaram um plano de contingência avaliado em 43 milhões de meticais, destinado a reforçar a prevenção e a capacidade de resposta às emergências.

A informação foi avançada pelo delegado provincial do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD), Aristides Armando, após a primeira reunião do Comité Operativo de Emergência (COE), realizada na segunda-feira (26), para avaliar os riscos climáticos previstos para os próximos seis meses.

Segundo o responsável, as comunidades situadas nas principais bacias hidrográficas da província apresentam maior vulnerabilidade a inundações, enquanto outras regiões poderão enfrentar períodos prolongados de seca. “Temos um total de 436 mil pessoas em risco, sobretudo nas comunidades localizadas ao longo das principais bacias hidrográficas”, afirmou Aristides Armando. O plano de contingência contempla acções de sensibilização das comunidades sobre medidas de prevenção, segurança e resposta antecipada aos fenómenos climáticos extremos.

De acordo com o INGD, Sofala dispõe actualmente de reservas para a assistência inicial às populações, incluindo 75 toneladas de produtos de emergência já posicionados em locais estratégicos. As autoridades pretendem igualmente reforçar os mecanismos de alerta prévio e melhorar a coordenação entre as instituições responsáveis pela gestão de desastres, de modo a reduzir os impactos humanos e materiais de eventuais ocorrências.

O secretário de Estado na província de Sofala, Manuel Rodrigues, assegurou que estão em curso esforços para mobilizar apoio de parceiros, com vista a reforçar os recursos necessários à assistência das populações potencialmente afectadas. O governante destacou a importância de garantir que os avisos meteorológicos e as recomendações de segurança cheguem atempadamente às comunidades mais vulneráveis. “Esta informação deve chegar a todas as comunidades locais o mais rapidamente possível. Um alerta só é eficaz quando chega a tempo à nossa população”, declarou.

Manuel Rodrigues anunciou ainda a realização de uma reunião destinada a definir os locais de pré-posicionamento de alimentos, tendas e equipas de resgate, permitindo uma resposta mais rápida em caso de emergência. A estratégia procura reduzir os riscos de perdas humanas, deslocações de famílias e destruição de infra-estruturas, particularmente nas zonas historicamente afectadas por cheias e ciclones.

A província de Sofala é uma das regiões moçambicanas mais expostas a fenómenos climáticos extremos, tendo registado, nos últimos anos, episódios de destruição provocados por ciclones e tempestades tropicais. Entre os acontecimentos mais marcantes destacam-se o ciclone Idai, em 2019, o ciclone Eloise, em 2021, e o ciclone Gombe, em 2022, além da tempestade tropical Chalane, em 2020.

Estes fenómenos causaram danos em habitações, estradas, infra-estruturas públicas e áreas agrícolas, evidenciando a necessidade de reforçar os mecanismos de prevenção e adaptação às alterações climáticas. O El Niño, fenómeno climático associado ao aquecimento anormal das águas superficiais do oceano Pacífico central e oriental, pode alterar os padrões de precipitação e temperatura em diferentes regiões do mundo, aumentando o risco de secas e outros eventos meteorológicos extremos.

A nível nacional, o Governo já alertou para possíveis impactos do fenómeno em pelo menos 52 distritos das regiões centro e sul do País, tendo anunciado a preparação de medidas para mitigar os efeitos da seca e da escassez de água. Em Sofala, as autoridades consideram que a aplicação do plano de contingência, a divulgação antecipada dos alertas e a disponibilidade de recursos de assistência serão fundamentais para proteger as comunidades durante a época chuvosa 2026-2027.