O ouro está a negociar com ligeiras perdas, mas consegue manter-se acima dos 4 mil dólares por onça, depois de no dia anterior ter caído brevemente abaixo desse nível. A subida nos preços do petróleo está a pesar sobre o metal amarelo, num dia em que todas as atenções estão viradas para a Reserva Federal (Fed) norte-americana e para a política monetária. 

Nesta manhã, o metal amarelo cede 0,29% para 4048,73 dólares por onça, tendo já chegado a desvalorizar quase 1% durante a madrugada. As notícias do Wall Street Journal que denunciaram uma eventual escalada do conflito no Médio Oriente após as eleições intercalares norte-americanas estão a agravar os preços do crude nos mercados internacionais, levando os investidores a anteciparem mais inflação no curto prazo. 

Espera-se que a Fed mantenha as taxas de juro inalteradas esta quarta-feira, 28 de Outubro, com um novo aperto monetário de 25 pontos-base a ser apontado para Dezembro. Os investidores procuram pistas sobre o futuro da política monetária do banco central no discurso do presidente, Kevin Warsh, que se vê a braços com uma inflação galopante e a habitual pressão de Donald Trump para reduzir os juros directores. 

Neste campo, a divulgação do índice de preços de gastos com consumo pessoal (PCE) – o indicador de inflação subjacente preferido da Fed – na quinta-feira deverá dar mais pistas aos mercados sobre os próximos passos que o banco central vai tomar. Antecipa-se que, em Setembro, o indicador tenha crescido de 3,4% para 3,6%. 

As mais recentes desvalorizações do ouro podem continuar, com o metal precioso a cair ainda mais, uma vez que a liquidez é baixa e as taxas de juro ainda têm espaço para subir, explica Yuxuan Tang, responsável pela estratégia de taxas de juro e câmbios para a Ásia no JPMorgan Private Bank. “O ouro irá encontrar um fundo sólido quando as taxas atingirem o pico”, acrescenta, citado pela Bloomberg.