O Presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa, ordenou o destacamento de 510 militares para a província costeira de KwaZulu-Natal, com o objectivo de apoiar a polícia no controlo de protestos contra imigrantes, anunciou esta terça-feira, 27 de outubro o gabinete da Presidência.

Segundo uma publicação da Reuters, o destacamento decorre de 9 de Outubro a 30 de Novembro e deverá custar 2,05 milhões de dólares.

A mobilização ocorre antes das eleições autárquicas de 4 de Novembro, num contexto de apelos de grupos anti-imigração à realização de protestos em todo o país.

A África do Sul tem registado, ao longo deste ano, várias manifestações contra imigrantes, que suscitaram críticas internacionais. Algumas marchas terminaram em violência, levando milhares de cidadãos estrangeiros africanos a abandonar o país.

Segundo um comunicado da Presidência, a decisão de mobilizar os militares surge na sequência de episódios recentes de violência associados à desinformação sobre uma decisão do Tribunal Constitucional relativa aos requerentes de asilo.

Este mês, protestos em Durban, a maior cidade de KwaZulu-Natal, e no bairro de Soweto, em Joanesburgo, degeneraram em violência, com viaturas incendiadas e estabelecimentos comerciais saqueados.

Na semana passada, um cidadão estrangeiro terá sido espancado até à morte por uma multidão em Durban, caso que está a ser investigado pelas autoridades.

A agitação foi precedida pela circulação de informações falsas sobre uma decisão judicial de Julho, segundo a qual os requerentes de asilo não podem ser impedidos de aceder ao sistema de asilo sul-africano exclusivamente por razões processuais.