A mineradora Total Graphite prevê investir cerca de 42,3 milhões de dólares na primeira fase de desenvolvimento do projecto de grafite de Montepuez, na província de Cabo Delgado, com o objectivo de alcançar uma produção inicial de 50 mil toneladas anuais de concentrado do mineral. O investimento integra a estratégia da empresa para posicionar Moçambique na cadeia internacional de fornecimento de matérias-primas destinadas ao fabrico de baterias para veículos eléctricos e sistemas de armazenamento de energia.

De acordo com informações divulgadas pela empresa, o projecto de Montepuez encontra-se licenciado para produzir até 100 mil toneladas anuais de concentrado de grafite, dispondo de recursos minerais estimados em 110,5 milhões de toneladas, dos quais cerca de 9,1 milhões correspondem a grafite contida.

O plano de desenvolvimento está estruturado em duas fases. A primeira contempla uma capacidade de produção de aproximadamente 50 mil toneladas por ano, mediante um investimento inicial estimado em 42,3 milhões de dólares, enquanto a segunda prevê praticamente duplicar a produção, elevando-a para cerca de 100 mil toneladas anuais. Em Setembro, a Total Graphite anunciou o início da actualização do estudo de viabilidade do projecto, apontando para uma decisão sobre o desenvolvimento da mina em 2027.

Paralelamente, a empresa pretende utilizar a futura produção de grafite de Moçambique para abastecer uma cadeia industrial de transformação destinada ao fabrico de materiais de maior valor acrescentado, nomeadamente grafite de alta pureza, grafite expansível e materiais activos para ânodos de baterias. A estratégia inclui igualmente a utilização de concentrado de grafite proveniente das operações da empresa em Madagáscar, procurando diversificar as fontes de abastecimento e reforçar a capacidade de resposta à crescente procura internacional.

Segundo um comunicado divulgado aos investidores, a Total Graphite obteve resultados iniciais considerados encorajadores nos testes de purificação de grafite extraída da sua operação de Vatomina, em Madagáscar, tendo alcançado um grau de pureza de 99,2% de carbono fixo. A empresa pretende agora atingir uma pureza de 99,5%, necessária para determinadas aplicações industriais de maior exigência. Embora os testes estejam a ser realizados com matéria-prima proveniente de Madagáscar, a mineradora esclarece que a futura unidade industrial poderá ser abastecida também pelos seus projectos em Moçambique.

A localização da unidade de transformação ainda não foi definida, estando a decisão dependente de factores como os custos operacionais, as condições logísticas, os incentivos disponíveis e a proximidade dos mercados consumidores. A empresa espera concluir os estudos técnicos e de engenharia até ao final de 2026 ou início de 2027, criando condições para uma decisão final de investimento na primeira unidade industrial de transformação de grafite.

O presidente da Total Graphite, Christian Dennis, considera que os resultados alcançados nos ensaios reforçam a confiança na estratégia de integração das actividades de exploração mineira e transformação industrial. “Estes resultados fornecem maior confiança para prosseguir a estratégia de construir um negócio de grafite verticalmente integrado para capturar as significativas oportunidades de valor acrescentado disponíveis a jusante”, afirmou o responsável, citado no comunicado da empresa.

Além de Montepuez, a Total Graphite detém o projecto Balama Central, igualmente localizado na província de Cabo Delgado. Em conjunto, os dois activos apresentam recursos superiores a 13 milhões de toneladas de grafite contida, constituindo uma importante base de matéria-prima para os planos de expansão da mineradora.

A aposta surge num contexto de crescente procura internacional de minerais considerados estratégicos para a transição energética, particularmente os utilizados na produção de baterias para veículos eléctricos e em tecnologias de armazenamento de energia. A concretização dos projectos poderá reforçar a participação de Moçambique no mercado internacional de grafite e criar oportunidades de investimento no sector mineiro. Contudo, o avanço da produção em Montepuez permanece dependente da conclusão dos estudos de viabilidade e da decisão final de investimento prevista para 2027.