A mineradora australiana Syrah Resources anunciou que a sua subsidiária Twigg Exploration and Mining deverá receber mais 15 milhões de dólares da Corporação Financeira Internacional de Desenvolvimento dos Estados Unidos (DFC), até 31 de Outubro de 2026, para apoiar as operações da mina de grafite de Balama, na província de Cabo Delgado. O montante corresponde a uma nova tranche de um empréstimo já existente e será destinado ao financiamento das necessidades operacionais e à manutenção da capacidade produtiva da unidade mineira.
De acordo um comunicado oficial, o desembolso tornou-se possível após a DFC ter concedido uma suspensão temporária da aplicação de medidas relacionadas com situações de incumprimento das condições do empréstimo. A instituição norte-americana mantém, contudo, os seus direitos contratuais, incluindo os relativos à disponibilização de futuras parcelas de financiamento, enquanto a Syrah Resources procura uma solução definitiva para as questões pendentes.
O novo desembolso terá uma taxa de juro anual de 6%, acrescida do custo de financiamento da DFC, além de uma comissão de adiantamento de 1%. Com a concretização desta operação, o valor acumulado dos desembolsos efectuados ao abrigo do empréstimo deverá atingir 83 milhões de dólares. O saldo previsional da dívida, incluindo os encargos financeiros acumulados, deverá situar-se em aproximadamente 93 milhões de dólares, tendo como referência 30 de Setembro de 2026, com uma taxa de juro média anual de 9,36%.
O financiamento representa um reforço de liquidez para a operação de Balama, numa altura em que a empresa procura assegurar recursos financeiros para sustentar as actividades mineiras e responder às suas necessidades de capital. No âmbito das condições associadas ao desembolso, a DFC deverá receber direitos de aquisição de aproximadamente 5,4 milhões de acções ordinárias da Syrah Resources.
A instituição tem igualmente por receber direitos relativos a cerca de 17,5 milhões de acções, associados a um desembolso anterior e ao adiamento do pagamento de juros. Caso todos os direitos sejam emitidos e exercidos, a DFC poderá passar a deter aproximadamente 1% do capital social da mineradora australiana.
O acordo prevê ainda a possibilidade de a instituição norte-americana indicar um representante para integrar o Conselho de Administração da Syrah Resources, mediante autorização da autoridade australiana responsável pela análise de investimentos estrangeiros. Apesar do novo apoio financeiro, a empresa continua a procurar parceiros estratégicos e fontes adicionais de capital para financiar as suas actividades.
Nesse sentido, a Syrah Resources anunciou que pretende nomear a instituição financeira Jefferies como seu assessor financeiro exclusivo no processo de negociação de novas parcerias e soluções de financiamento. O grupo mantém igualmente negociações relacionadas com propostas estratégicas de financiamento que envolvem a DFC, o Departamento de Energia dos Estados Unidos e a AustralianSuper. Contudo, estas iniciativas continuam sujeitas à conclusão de acordos e às aprovações necessárias, não existindo garantias de concretização das operações adicionais.
A Syrah Resources dedica-se à exploração, processamento e fornecimento de grafite natural e materiais utilizados na produção de ânodos para baterias de iões de lítio, destinados sobretudo à indústria de veículos eléctricos e a outras aplicações industriais. A mina de Balama, localizada em Cabo Delgado e operada pela Twigg Exploration and Mining, constitui um dos principais activos do grupo e integra a sua estratégia de fornecimento de matérias-primas críticas para a indústria internacional de baterias.
O apoio financeiro norte-americano enquadra-se no interesse dos Estados Unidos em reforçar cadeias de abastecimento de minerais estratégicos, incluindo a grafite, utilizada na produção de baterias e em tecnologias associadas à transição energética. Apesar da previsão de desembolso até ao final de Outubro, a empresa esclarece que a disponibilização de futuras parcelas do empréstimo não está assegurada, permanecendo dependente da evolução das negociações e da resolução das questões contratuais pendentes.





