A captação de recursos de capital privado na África Austral aumentou 162% em 2025, atingindo 1,3 mil milhões de dólares, o segundo valor mais elevado dos últimos dez anos. Os dados constam da Pesquisa da Indústria de Capital Privado de 2026, da Associação de Capital de Risco da África Austral (SAVCA), e reflectem o aumento dos recursos disponibilizados por investidores para financiar empresas e projectos na região.
O estudo, baseado nas respostas de 51 empresas de capital privado e sete entidades de investimento, todas sediadas na África do Sul, indica que os investidores sul-africanos foram responsáveis por 55% do capital captado. No mesmo período, os compromissos de investimento de fundos de pensões e de dotações aumentaram 175%, para 267 milhões de dólares, demonstrando uma maior participação destes investidores no financiamento de empresas.
Além da captação de novos recursos, a venda de investimentos realizados anteriormente gerou 261 milhões de dólares em 2025, permitindo aos investidores recuperar parte do capital aplicado. No mesmo ano, os fundos destinados a infra-estruturas, energia e sectores relacionados representaram 62% do total captado, abaixo dos 71% registados em 2024. Em contrapartida, os fundos generalistas, que investem em diferentes sectores, aumentaram a sua participação de 22% para 33%, revelando uma maior diversificação das estratégias de investimento.
Apesar do aumento dos recursos captados, o montante efectivamente aplicado em novos investimentos diminuiu 16%, passando de 1,4 mil milhões de dólares em 2024 para cerca de 1,2 mil milhões em 2025. A energia, o imobiliário e as infra-estruturas concentraram, em conjunto, cerca de 40% do capital investido. A energia aumentou a sua participação de 13% para 20% e o imobiliário de 6% para 11%, enquanto as infra-estruturas registaram uma redução de 27% para 9%.
A educação também ganhou peso na distribuição dos investimentos, passando de 2% para cerca de 16%. Contudo, a pesquisa indica que este crescimento foi impulsionado, em grande medida, por um único gestor de fundos. Quanto à utilização do capital, 49% foi destinado à expansão e ao desenvolvimento de empresas, enquanto a proporção aplicada em aquisições aumentou de 20% para 38%, reflectindo uma maior participação de operações de compra de empresas ou de participações empresariais.
Os dados relativos às empresas que receberam investimentos mostram resultados positivos na criação de emprego. Das 261 empresas analisadas, 70% aumentaram o número de trabalhadores entre 2023 e 2025, enquanto 30% reduziram os seus efectivos. Entre as empresas que criaram postos de trabalho, a taxa média ponderada de crescimento anual composto do emprego foi de 16%. No que respeita às receitas, 56% das 196 empresas avaliadas registaram um crescimento anual composto superior a 5%.
Tecnologia ganha peso nas decisões de investimento
Apesar dos resultados positivos no emprego e nas receitas, a pesquisa conclui que o mercado de capital privado está a tornar-se mais selectivo, com os investidores a concentrarem os recursos em oportunidades consideradas mais promissoras. Esta tendência é acompanhada por uma maior atenção à transformação tecnológica: a proporção de empresas que identificam esta área como a sua principal prioridade de investimento aumentou de 11% para 40%.
No domínio dos critérios ambientais, sociais e de governação, a qualidade dos dados continua a ser o principal obstáculo à sua aplicação, apontado por 44% das empresas inquiridas. Entretanto, as receitas obtidas com a venda de participações aumentaram 19%, atingindo 1,2 mil milhões de dólares em 2025. Estas operações permitem aos investidores recuperar o capital aplicado e disponibilizar recursos para financiar novos investimentos.
Entre as diferentes formas de saída dos investimentos, as vendas comerciais, que consistem na comercialização de participações a outras empresas, aumentaram de 15 para 27 operações, gerando 352 milhões de dólares. O crescimento destas transacções evidencia a importância das estratégias de saída, através das quais os fundos procuram recuperar o capital investido e, quando possível, obter retornos que possam ser aplicados em novas oportunidades.
Para 2026, o principal desafio será transformar os recursos recuperados em novos investimentos, num contexto em que os investidores demonstram maior selectividade. Na África do Sul, a transição energética poderá continuar a criar oportunidades para o capital privado, nomeadamente através do concurso lançado pela empresa pública de electricidade Eskom para a contratação de seis gigawatts de energia renovável.
Fonte: Further Africa





