O comércio entre a África do Sul e a China registou um crescimento significativo este ano, na sequência da entrada em vigor, em Maio, de um regime de isenção de tarifas aduaneiras para determinados produtos africanos no mercado chinês.

O embaixador chinês na África do Sul, Wu Peng, afirmou, durante um evento realizado em Pretória, que as exportações sul-africanas para a China aumentaram quase 25% em termos homólogos entre Maio e Agosto, enquanto as importações provenientes do mercado chinês cresceram 23% no mesmo período.

A África do Sul tem procurado reequilibrar as suas trocas comerciais com a China, o seu maior parceiro comercial. Em 2025, o país exportou mercadorias avaliadas em cerca 13,5 mil milhões de dólares, para o mercado chinês, enquanto as importações provenientes daquele país quase duplicaram esse valor, segundo o ministro do Comércio sul-africano, Parks Tau.

Entre os produtos sul-africanos exportados para a China encontram-se produtos agrícolas, minerais e bens manufacturados. Wu Peng afirmou que Pequim está atenta às preocupações de Pretória relativamente ao desequilíbrio comercial e manifestou confiança de que, no futuro, um número crescente de produtos sul-africanos com maior valor acrescentado terá acesso ao mercado chinês.

A intensificação das exportações para a China integra a estratégia sul-africana de diversificação dos mercados de destino, num contexto de deterioração das relações comerciais com os Estados Unidos e de possíveis novas barreiras às exportações.

Os Estados Unidos da América (EUA) prorrogaram até 2028 a Lei de Crescimento e Oportunidades para África (AGOA), que concede condições comerciais preferenciais aos países africanos elegíveis. Contudo, a África do Sul corre o risco de ser excluída do programa, devido a divergências com a Administração do Presidente norte-americano, Donald Trump, sobre várias políticas internas e externas do país, incluindo acusações de perseguição à população branca, rejeitadas pelo Governo sul-africano.

O ministro do Comércio, Parks Tau, afirmou esperar um anúncio no início de Novembro sobre a eventual exclusão da África do Sul do AGOA, embora tenha manifestado um optimismo cauteloso quanto à manutenção do país no programa.

Fonte: Reuters