Das Maurícias à África do Sul, dez países africanos destacam-se pelos níveis de liberdade económica, política e jurídica, segundo o Índice de Liberdade do Atlantic Council, com duas nações insulares a liderarem o continente.

Quando se fala de liberdade em África, o debate centra-se frequentemente nas eleições, na liderança política e no direito à liberdade de expressão. No entanto, o conceito vai além do voto. Inclui também a facilidade de desenvolver actividades empresariais, a capacidade dos tribunais para proteger direitos e a margem de que os cidadãos dispõem para fazer escolhas económicas e pessoais sem restrições desnecessárias.

Em todo o continente, os países seguiram diferentes trajectórias na construção de instituições, na expansão das oportunidades económicas e na protecção das liberdades individuais. Alguns desenvolveram sistemas mais sólidos nestas áreas, enquanto outros continuam a enfrentar desafios.

O Índice de Liberdade do Atlantic Council constitui uma das ferramentas utilizadas para comparar estas diferenças. O indicador classifica 171 países a nível mundial, combinando três dimensões com igual ponderação: liberdade económica, política e jurídica. As pontuações variam entre zero e 100 pontos, sendo que valores mais elevados correspondem a maiores níveis de liberdade.

Eis os dez países africanos que se destacam nesta classificação, desde as nações insulares que lideram o continente até às grandes economias e aos países de menor dimensão.

1. Maurícias — 81,1 pontos

As Maurícias ocupam o 33.º lugar a nível mundial no Índice de Liberdade, com 81,1 pontos, integrando a categoria de elevada liberdade.

A nação insular do oceano Índico, situada a leste de Madagáscar, desenvolveu uma economia diversificada, abrangendo o turismo, os serviços financeiros, os têxteis e as tecnologias de informação. Inicialmente muito dependente da produção de açúcar, o país expandiu as suas actividades para os serviços financeiros internacionais e outros sectores. As praias e as unidades hoteleiras continuam também a atrair visitantes estrangeiros e a contribuir para o crescimento económico.

2. Seicheles — 80 pontos

As Seicheles ocupam a 36.ª posição mundial, com 80 pontos, integrando igualmente a categoria de elevada liberdade.

O arquipélago do oceano Índico é constituído por 115 ilhas e possui uma economia fortemente dependente do turismo e da pesca. As praias, a biodiversidade marinha e os resorts de luxo atraem visitantes de várias partes do mundo.

Apesar da reduzida população e da dimensão limitada do mercado interno, o país desenvolveu uma economia de rendimento relativamente elevado, com o turismo a permanecer uma das principais fontes de receitas em moeda estrangeira e de emprego.

3. Cabo Verde — 76,4 pontos

Cabo Verde ocupa o 42.º lugar mundial no Índice de Liberdade, com 76,4 pontos, sendo classificado na categoria de elevada liberdade.

O arquipélago atlântico, situado ao largo da costa da África Ocidental, depende significativamente do turismo, das remessas dos emigrantes, dos transportes e dos serviços.

As paisagens vulcânicas, as praias e o património cultural atraem visitantes internacionais. Contudo, a escassez de recursos naturais e a reduzida dimensão do mercado interno mantêm o país dependente das importações e das ligações económicas externas.

4. Botsuana — 73 pontos

O Botsuana ocupa a 49.ª posição mundial, com 73 pontos, integrando a categoria de liberdade moderada.

O país, sem acesso directo ao mar, tem uma economia historicamente sustentada pela exploração de diamantes, que gera receitas significativas de exportação e para o Estado.

O turismo de natureza, sobretudo no Delta do Okavango e no Parque Nacional de Chobe, constitui outra actividade importante. O Botsuana tem procurado diversificar a sua economia para reduzir a dependência dos diamantes e reforçar outros sectores produtivos.

5. Gana — 71,8 pontos

O Gana ocupa o 54.º lugar mundial, com 71,8 pontos, sendo classificado na categoria de liberdade moderada.

A economia ganesa é sustentada por uma combinação de actividades, incluindo a mineração de ouro, a produção de cacau, o petróleo e os serviços. O país está entre os principais produtores mundiais de cacau e é também um importante exportador de ouro.

Acra constitui um dos principais centros comerciais da região, enquanto os investimentos na indústria transformadora, na agricultura e nos serviços digitais oferecem oportunidades para alargar a base produtiva do país.

6. São Tomé e Príncipe — 71,4 pontos

São Tomé e Príncipe ocupa a 56.ª posição mundial, com 71,4 pontos, integrando a categoria de liberdade moderada.

O pequeno Estado insular situa-se no golfo da Guiné, ao largo da costa ocidental da África Central. A sua economia depende da agricultura, do turismo e da assistência internacional ao desenvolvimento, sendo o cacau um dos seus produtos tradicionais de exportação.

As paisagens vulcânicas, as florestas tropicais e a biodiversidade oferecem oportunidades para o ecoturismo. No entanto, a reduzida dimensão do mercado interno e a dependência de produtos importados continuam a representar desafios económicos.

7. África do Sul — 70,3 pontos

A África do Sul ocupa o 60.º lugar mundial, com 70,3 pontos, integrando a categoria de liberdade moderada.

Uma das maiores economias africanas e a mais industrializada do continente, o país possui sectores importantes como a mineração, a indústria transformadora, as finanças, a agricultura e o turismo.

É um dos principais produtores mundiais de metais do grupo da platina e um importante exportador de ouro e carvão. Joanesburgo destaca-se como centro financeiro, enquanto a Cidade do Cabo constitui um dos principais destinos turísticos do país.

Apesar da dimensão da sua economia, o desemprego, a desigualdade e as limitações das infra-estruturas continuam a representar desafios significativos.

8. Gâmbia — 70 pontos

A Gâmbia ocupa a 62.ª posição mundial, com 70 pontos, sendo classificada na categoria de liberdade moderada.

O pequeno país da África Ocidental é quase inteiramente rodeado pelo Senegal, dispondo de uma estreita faixa costeira junto ao oceano Atlântico.

A agricultura, o turismo e as remessas dos emigrantes são importantes para a economia. O amendoim tem sido historicamente um dos principais produtos de exportação, enquanto as estâncias costeiras atraem visitantes estrangeiros.

A dimensão reduzida do mercado interno e a exposição a choques económicos externos continuam a influenciar as perspectivas de desenvolvimento do país.

9. Namíbia — 69,7 pontos

A Namíbia ocupa o 63.º lugar mundial, com 69,7 pontos, integrando a categoria de liberdade moderada.

O país da África Austral, caracterizado pela baixa densidade populacional, destaca-se pelas paisagens desérticas, pelos recursos minerais e pela costa atlântica.

A mineração constitui um dos principais sectores económicos, com os diamantes, o urânio e outros minerais a contribuírem para as receitas de exportação. A pesca, a agricultura e o turismo também sustentam a actividade económica, com destinos como o deserto do Namibe e o Parque Nacional de Etosha a atraírem visitantes internacionais.

10. Senegal — 69,1 pontos

O Senegal ocupa a 65.ª posição mundial, com 69,1 pontos, sendo classificado na categoria de liberdade moderada.

Situado na costa atlântica da África Ocidental, o país tem em Dacar um importante centro comercial e de transportes da região.

A economia é sustentada pelos serviços, pela agricultura, pela pesca, pela mineração e por uma indústria de petróleo e gás em expansão. O amendoim, os fosfatos e os produtos do mar têm contribuído tradicionalmente para as exportações, enquanto a produção de hidrocarbonetos abre novas oportunidades de investimento e de receitas públicas.

Fonte: Business Insider Africa