As principais praças asiáticas encerraram a sessão desta quinta-feira (22) em terreno negativo, numa altura em que os resultados das grandes tecnológicas não conseguiram, para já, devolver o optimismo aos investidores em torno do sector da Inteligência Artificial (IA). Os elevados preços da energia estão também a pressionar um dos principais índices chineses, que se aproxima de um bear market, caracterizado por uma queda de 20% face ao pico mais recente.
O MSCI Asia Pacific, índice de referência dos mercados asiáticos, registava perdas de 1,74%, enquanto o sul-coreano Kospi recuou 3,41%, liderando novamente as perdas na região. O índice atingiu mínimos desde Abril e é considerado um barómetro do investimento em IA, devido ao peso de duas das maiores empresas do sector, a SK Hynix e a Samsung Electronics, na sua composição.
Na China, o CSI 300 caiu 1,83%, aproximando-se de uma desvalorização de 20% face ao pico mais recente, atingido em Junho. Já o Hang Seng, índice de Hong Kong com forte exposição ao sector tecnológico, recuou mais de 3%, para mínimos de quase quatro meses. Por sua vez, o Shanghai Composite acompanhou a tendência negativa dos restantes mercados e encerrou a sessão com uma queda de cerca de 1,3%.
Os resultados da Tesla e da Meta, proprietária do Facebook e do Instagram, não conseguiram convencer os investidores de que os avultados investimentos em IA poderão gerar retornos significativos a curto prazo. A empresa liderada por Elon Musk recuava mais de 3% nas negociações antes da abertura do mercado norte-americano (pre-market), apesar de ter apresentado lucros acima das expectativas e reduzido as previsões de despesas.
A Meta, por sua vez, avançava mais de 2% nas negociações antes da abertura do mercado, depois de os seus lucros terem mais do que triplicado, para 9,86 mil milhões de euros. Contudo, a empresa prevê aumentar novamente os investimentos em IA e estima gastar entre 135 mil milhões e 145 mil milhões de dólares este ano, elevando o limite mínimo da previsão face aos anteriores 130 mil milhões de dólares. Esta perspectiva está a gerar alguma apreensão entre os investidores devido à dimensão dos gastos previstos.
“O mercado está difícil de agradar no que diz respeito às despesas de capital neste momento”, afirmou Tim Waterer, analista-chefe de mercado da KCM Trade, citado pela Bloomberg. “O mercado fica inquieto quando as empresas aumentam as despesas e fica inquieto quando estas as reduzem, como acabámos de ver com a Tesla. Neste contexto, é quase impossível encontrar o equilíbrio certo”, acrescentou.





