O governador de Cabo Delgado, Valige Tauabo, apelou esta quarta-feira, 21 de Outubro, ao regresso dos investidores, afirmando que a segurança na província está a melhorar. O governante reconheceu, contudo, que a ameaça terrorista persiste e que nove anos de conflito atrasaram o desenvolvimento da região.

Em declarações à margem da Conferência sobre Adição de Valor com Base em Minerais e Recursos Energéticos Disponíveis, em Nacala-Porto, província de Nampula, Tauabo destacou a resiliência das populações, mas admitiu o impacto da violência na economia e nas condições de vida das comunidades.

“Cabo Delgado ficou bastante atrasado”, afirmou, citado pela Lusa, referindo-se às consequências da insurgência iniciada em Outubro de 2017. Segundo o governante, a insegurança afastou investidores, comprometeu projectos de desenvolvimento e continua a alimentar o receio das populações e a cautela dos agentes económicos na retoma das suas actividades.

Tauabo defendeu, por isso, a recuperação da confiança dos empresários nacionais e estrangeiros, considerando que a melhoria das condições de segurança poderá favorecer novos investimentos e a recuperação económica.

“Queremos encorajar todos os que crêem que é possível termos desenvolvimento e que é possível aspirarmos à segurança”, declarou.

O governante afirmou que nenhum distrito ou localidade da província se encontra actualmente sob controlo dos grupos terroristas, embora tenha reconhecido a persistência de movimentações de insurgentes em zonas remotas do norte e centro de Cabo Delgado.

Na sua avaliação, a actuação das Forças de Defesa e Segurança, apoiadas por forças estrangeiras, contribuiu para reduzir os ataques, permitir o regresso gradual das populações deslocadas e recuperar infra-estruturas e serviços públicos. Advertiu, porém, que estes avanços exigem a manutenção da vigilância nas comunidades.

“Mais uma vez, queremos dizer que ainda persiste o movimento dos extremistas”, alertou, sublinhando que a tranquilidade observada em algumas zonas não significa o fim da ameaça.

O conflito, associado a grupos extremistas ligados ao Estado Islâmico, já provocou mais de 6600 mortos e mais de 1,2 milhão de deslocados desde 2017, segundo organizações internacionais. A violência destruiu infra-estruturas, interrompeu actividades económicas e limitou o acesso a serviços essenciais.

Num relatório divulgado em Setembro, o Gabinete das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA) estimou que cerca de 1,38 milhão de pessoas viviam com as consequências da deslocação em Cabo Delgado, incluindo aproximadamente 662 mil deslocados internos e 722 mil pessoas regressadas às suas zonas de origem.

O documento registou também mais de 400 incidentes associados ao conflito no primeiro semestre de 2026, um aumento de 10% face ao período homólogo de 2025, e advertiu que o regresso das famílias não significa necessariamente a recuperação das condições de segurança e dos meios de subsistência.

A conferência em que Tauabo participou decorre de 19 a 24 de Outubro, em Nacala-Porto, e reúne representantes de diferentes sectores para discutir a transformação dos recursos minerais e energéticos em oportunidades de desenvolvimento.