Moçambique deve atrair indústrias chinesas para produzir no País e abastecer os mercados africanos, defendeu esta quarta-feira, 21 de Outubro, o presidente da Câmara de Comércio de Moçambique (CCM), Lucas Chachine. O dirigente identificou o vestuário, a indústria automóvel e a maquinaria como áreas com potencial para investimento.

Em declarações aos jornalistas, à margem da abertura da 31.ª Feira Internacional de Macau (MIF), na China, o responsável apontou a localização geográfica, a disponibilidade de mão-de-obra e o acesso aos mercados regionais como vantagens para a instalação de unidades industriais em território moçambicano.

“É possível produzir em Moçambique, para consumir em Moçambique, mas também para exportar para o vasto mercado regional”, afirmou, citado pela Lusa. A proposta abrange a produção de componentes, além de produtos acabados, destinados ao consumo interno e à exportação.

Para Chachine, a cooperação económica entre Moçambique e a China deve dar maior espaço à produção local, permitindo ao País desenvolver capacidade industrial e reduzir a dependência das importações.

O presidente da CCM destacou que cerca de 500 mil jovens entram anualmente no mercado de trabalho, considerando que a instalação de novas indústrias poderá ajudar a responder à procura de emprego.

Questionado sobre o impacto da instabilidade política e militar na atracção de investimento, Chachine rejeitou a possibilidade de esta afastar os investidores chineses ou de outros mercados. Embora tenha reconhecido a existência de focos de violência no norte do País, considerou que Moçambique mantém condições para aprofundar as relações económicas com parceiros internacionais.

No plano da cooperação empresarial, o dirigente revelou que a CCM propôs a criação de uma plataforma conjunta das câmaras de comércio dos países de língua portuguesa. A estrutura deverá facilitar o diálogo entre empresas, a partilha de experiências e a identificação de oportunidades de negócio, incluindo o acesso a Macau e ao mercado chinês.

A proposta procura aproveitar o papel de Macau na ligação económica e comercial entre a China e os países lusófonos, desenvolvido através do Fórum de Macau, criado em 2003.

A 31.ª MIF decorre até 24 de Outubro, na Cotai Expo do Venetian Macao, em simultâneo com a Exposição de Produtos e Serviços dos Países de Língua Portuguesa e a Exposição de Franquia de Macau