A Mozambique Electronic Cargo Tracking Services (MECTS), primeira empresa resultante de uma Parceria Público-Privada (PPP) admitida à cotação na Bolsa de Valores de Moçambique (BVM), registou lucros de 2,2 milhões de euros em 2025, mais 74,9% do que no ano anterior. A redução dos custos operacionais permitiu melhorar a rentabilidade, apesar da descida de 1,9% das receitas.

Segundo a Lusa, que cita as demonstrações financeiras auditadas, o resultado líquido aumentou de 94,6 milhões para 165,5 milhões de meticais, equivalentes a cerca de 1,3 milhão e 2,2 milhões de euros, respectivamente. A margem líquida atingiu 13,9%.

Os resultados dão continuidade à recuperação iniciada após os prejuízos de 489 mil euros registados em 2023. No prospecto apresentado aos investidores por ocasião da entrada em bolsa, a administração destaca a melhoria do desempenho operacional e o reforço patrimonial.

As receitas recuaram para 15,8 milhões de euros. A empresa atribui a redução à instabilidade sociopolítica em Moçambique e nos países do interior da região, à menor afluência de navios ao Porto da Beira e aos efeitos de fenómenos climáticos nos corredores logísticos.

Ainda assim, o resultado operacional cresceu 48,2%, para 3,2 milhões de euros, beneficiando da redução dos custos. Os activos aumentaram 19,9%, para 11,7 milhões de euros, enquanto os capitais próprios mais do que duplicaram, passando de 1,4 milhão para 3,5 milhões de euros.

Durante 2025, a MECTS investiu 3,9 milhões de euros, sobretudo na aquisição de equipamentos de selagem electrónica, no desenvolvimento de sistemas tecnológicos e no reforço da capacidade operacional.

No mesmo período, realizou 386 430 operações de selagem electrónica de carga, mais 2% do que em 2024, superando a meta estabelecida para o exercício. O corredor Centro concentrou 86% das operações, seguido pelos corredores Sul, com 11%, e Norte, com 3%. A empresa terminou o ano com 675 trabalhadores.

Constituída em 2018, a MECTS opera o Sistema Electrónico de Selagem e Rastreio de Carga em Trânsito (SEERC), ao abrigo de uma concessão de 30 anos atribuída pela Autoridade Tributária de Moçambique, segundo a informação citada pela Lusa.

O sistema acompanha, em tempo real, a circulação de mercadorias nos principais corredores logísticos nacionais, recorrendo a selos electrónicos, tecnologia GPS e centros de monitorização permanente. Tem como objectivos prevenir a evasão fiscal, combater o contrabando e reforçar a segurança no transporte de carga.

A MECTS foi admitida à cotação na BVM a 14 de Outubro de 2026. A operação abrangeu as 25 mil acções representativas da totalidade do capital social. Segundo o prospecto citado pela agência, Ricardo Xavier Sengo detinha, à data da admissão, 65% da empresa, Hui Jun Yang possuía 30% e os restantes accionistas controlavam 5%.