O ministro das Finanças do Zimbabué, Mthuli Ncube, prevê que as remessas enviadas pelos zimbabueanos residentes no estrangeiro ultrapassem 3,2 mil milhões de dólares este ano. A previsão surge depois de estas entradas terem crescido 41,4% no primeiro semestre, para 1,55 mil milhões de dólares, o que reforça o seu peso como fonte de divisas para a economia.
Mthuli Ncube apresentou os números no relatório sobre o Estado da Economia, na Conferência Nacional do Povo da ZANU-PF, realizada na semana passada em Chinhoyi. “O valor ultrapassou 1,55 mil milhões de dólares no primeiro semestre de 2026, um aumento de 41,4% em relação ao primeiro semestre do ano passado”, afirmou.
O ministro espera que as remessas continuem a crescer e atinjam 3,4 mil milhões de dólares em 2027. “Estes fluxos são uma âncora fiável para a economia e para a taxa de câmbio”, declarou.
Além de fornecerem moeda estrangeira à economia formal, as remessas ajudam as famílias a pagar despesas essenciais, como a educação e os cuidados de saúde, o que reforça o papel dos rendimentos da diáspora no sustento dos agregados familiares.
A origem geográfica das remessas também está a mudar. No primeiro trimestre de 2026, o Reino Unido tornou-se o principal mercado emissor, com 28,6% do total, acima dos 24,9% registados em 2024 e dos 22,3% em 2022.
Em sentido contrário, o peso da África do Sul, historicamente a principal origem das remessas, tem vindo a diminuir: no primeiro trimestre de 2026 representou 27,5% do total, contra 31,2% em 2024 e 38,3% em 2021. No mesmo período, os Estados Unidos contribuíram com 11,2%, face a 9,8% em 2024, e a Austrália com 5,5%.
Seguiram-se o Canadá, com 2,1%, e o Botsuana, com 2%. Os restantes mercados, em conjunto, responderam por 23,1%, o que reflecte a diversificação da origem dos fundos enviados pela diáspora.
O aumento previsto das remessas poderá também abrir caminho a mais investimento produtivo no Zimbabué. Embora estes fundos se destinem tradicionalmente a despesas familiares, a sua aplicação em poupança, habitação e pequenas empresas poderá estimular a actividade económica e a criação de emprego. Para isso, são importantes canais de transferência eficientes e acessíveis, que incentivem a entrada de mais fundos no sistema financeiro regulamentado.
Fonte: The Herald





