O governador de Cabo Delgado, Valige Tauabo, defendeu relações comerciais duradouras entre os megaprojectos e as empresas moçambicanas, para reforçar a capacidade dos fornecedores locais, promover a transferência de competências e facilitar o acesso a outros mercados.
A posição foi apresentada durante a Conferência sobre Adição de Valor com Base em Minerais e Recursos Energéticos Disponíveis, que decorre de 19 a 24 de Outubro, em Nacala, na província de Nampula. O governante considerou que a participação nacional nos grandes investimentos deve ultrapassar a contratação ocasional de serviços.
Citado pela Lusa, Tauabo defendeu que os benefícios da exploração dos recursos naturais devem traduzir-se em oportunidades para as empresas e para a população, com particular atenção aos jovens e às mulheres.
“Os jovens e mulheres e a população, no seu todo, não devem ser espectadores dos grandes investimentos, mas sim parte activa”, afirmou.
O governador apelou a uma maior articulação entre instituições públicas e privadas, para evitar a dispersão de esforços e assegurar que os investimentos industriais respondam às prioridades da província e do País.
A formação técnica e profissional foi outra das prioridades apontadas. Tauabo defendeu uma ligação mais próxima entre as instituições de ensino e as empresas, de forma a adequar as competências dos trabalhadores às necessidades dos megaprojectos e facilitar a sua certificação.
Identificou também o acesso ao financiamento como um dos principais obstáculos à criação e expansão das pequenas e médias empresas que procuram integrar as cadeias de fornecimento.

Para o governante, a participação nacional deve produzir resultados concretos: emprego digno, melhores condições habitacionais, desenvolvimento de competências, criação de empresas e aumento da produção e da produtividade.
O apelo ocorre numa fase de expansão dos investimentos de gás natural na bacia do Rovuma, ao largo de Cabo Delgado. O Coral Sul, operado pela italiana Eni, produz desde 2022. A entrada em funcionamento do Coral Norte, prevista para 2028, deverá elevar a capacidade conjunta das duas unidades para cerca de sete milhões de toneladas de gás natural liquefeito por ano.
Na Área 1, o projecto Mozambique LNG, liderado pela TotalEnergies, anunciou a retoma integral das actividades a 29 de Janeiro de 2026, após a suspensão iniciada em 2021 devido à insegurança em Cabo Delgado.





