Os preços do petróleo estão a desvalorizar mais de 2% esta segunda-feira (19), depois de terem saltado mais de 4% na sessão passada, o que levou o crude a negociar em máximos de cinco meses. As tensões no Médio Oriente continuam a aquecer com novos ataques do grupo rebelde houthis a destabilizar a região, mas os investidores estão a preferir focar-se, para já, nos sinais de que os fluxos da matéria-prima estão próximos dos níveis pré-guerra.
Nesta manhã, o Brent do Mar Norte – de referência para a Europa – recua 2,40% para 107,24 dólares por onça, enquanto o West Texas Intermediate (WTI) – benchmark para os Estados Unidos da América (EUA) – cede 2,14% para 99,32 dólares. Por sua vez, o gás natural negociado em Amesterdão salta 0,64% para 88,10 euros por megawatt hora.
Estes recuos acontecem apesar de um clima crispado no Médio Oriente. Um helicóptero da Arábia Saudita foi abatido quando estava a sobrevoar a fronteira do país com o Iémen e os rebeldes houthis lançaram uma ofensiva contra Yanbu – um centro de exportação fundamental para Riad. Ao mesmo tempo, a marinha britânica revelou que dois petroleiros foram atingidos por mísseis no golfo Pérsico.
No entanto, e apesar de uma clara escalada nos ataques, os fluxos de crude parecem estar a conseguir resistir. De acordo com o que o secretário da Energia norte-americano, Chris Wright, afirmou à Fox News, os fluxos já recuperaram para cerca de 80% dos níveis registados antes do estalar do conflito entre os EUA e o Irão no final de Fevereiro, apesar de admitir que a refinação de crude está a registar grandes restrições.
O Brent encontra-se preso entre um risco geopolítico acrescido e fluxos crescentes provenientes do Médio Oriente, diz June Goh, uma analista do mercado petrolífero da Sparta Commodities, à Bloomberg. “Os mercados parecem relutantes em absorver os preços mais elevados, numa altura em que o resto da economia não apresenta um panorama animador”, afirmou ainda, acrescentando que é provável que o Brent se mantenha num intervalo em torno dos 100 dólares por barril no curto prazo.





