Moçambique exportou 6400 toneladas de gergelim para a União Europeia e o Japão nos últimos seis meses, sem registar qualquer rejeição dos produtos nestes mercados, um resultado alcançado pela primeira vez em cinco anos, segundo dados divulgados pelo Ministério da Agricultura, Ambiente e Pescas (MAAP).

De acordo com uma nota do Ministério, citada pela Lusa, das quantidades exportadas, 1400 toneladas tiveram como destino a União Europeia, distribuídas por 33 lotes, enquanto o Japão recebeu 5000 toneladas, correspondentes a 31 lotes. No mesmo período, as exportações totais de gergelim moçambicano atingiram 48 915 toneladas, sem registo de devoluções, representando um resultado positivo para o sector das oleaginosas e para a presença do produto nacional nos mercados internacionais.

Segundo o Governo, este é o primeiro período sem rejeições de gergelim moçambicano nos mercados europeu e japonês nos últimos cinco anos, depois de terem sido registadas 14 rejeições de lotes provenientes de Moçambique nos três anos anteriores. O Ministério da Agricultura, Ambiente e Pescas atribui os resultados às melhorias introduzidas nos mecanismos de controlo de qualidade e rastreabilidade das exportações, com destaque para a implementação da certificação digital obrigatória antes do embarque dos produtos.

O processo é assegurado através do Instituto do Algodão e Oleaginosas de Moçambique (IAOM), com acompanhamento das operações pela Janela Única Electrónica (JUE), permitindo reforçar a fiscalização e o cumprimento dos requisitos exigidos pelos mercados de destino. Para as autoridades, estas medidas são fundamentais para assegurar a conformidade dos produtos agrícolas nacionais com as normas sanitárias internacionais, reduzir o risco de rejeições e preservar o acesso dos produtores moçambicanos a mercados com maior potencial de remuneração.

O Executivo considera ainda que o desempenho alcançado contribui para reforçar a reputação de Moçambique enquanto fornecedor de oleaginosas, particularmente no que diz respeito à qualidade, rastreabilidade e cumprimento dos padrões internacionais de segurança alimentar. Os resultados contrastam com as rejeições registadas noutros países exportadores de gergelim. Entre Janeiro e Setembro de 2026, a União Europeia contabilizou 56 rejeições do produto importado, enquanto o Japão registou nove casos, associados sobretudo à presença de salmonela, resíduos de pesticidas e aflatoxinas.

Segundo os dados do Sistema de Alerta Rápido para os Géneros Alimentícios e Alimentos para Animais da União Europeia (RASFF) e do Ministério da Saúde, Trabalho e Bem-Estar do Japão, a Nigéria registou 31 rejeições, seguida da Índia, com 12, do Sudão, com 11, e da Tanzânia, com cinco. A ausência de rejeições do gergelim moçambicano nos dois mercados constitui um indicador de melhoria dos mecanismos de controlo sanitário e de qualidade das exportações, num contexto de exigências crescentes por parte dos compradores internacionais.

O Governo pretende continuar a reforçar os sistemas de certificação e rastreabilidade, com vista a consolidar a presença dos produtos agrícolas nacionais nos mercados externos e garantir condições de acesso mais favoráveis para os operadores do sector.