O Governo reconheceu, durante um encontro com o Fundo Monetário Internacional (FMI), que o País continua a enfrentar dificuldades de liquidez na Tesouraria do Estado, situação que condiciona a execução integral do Orçamento do Estado e o cumprimento atempado das obrigações relacionadas com o serviço da dívida pública, apesar dos sinais de recuperação gradual da economia nacional.

O encontro realizou-se na quarta-feira (14), em Banguecoque, na Tailândia, segundo um comunicado do Ministério das Finanças citado pela Lusa. A governante apresentou um balanço da evolução recente da economia moçambicana: o crescimento homólogo situou-se em cerca de 1,7% no segundo trimestre de 2026 e a inflação atingiu 7%, reflectindo, entre outros factores, a persistência das pressões sobre os preços dos combustíveis.

Apesar deste cenário, o Executivo prevê manter a inflação abaixo dos dois dígitos até ao final do ano. Carla Louveira admitiu, contudo, que os sinais de recuperação ainda não se traduziram numa melhoria suficiente das condições financeiras do Estado.

Perante estas dificuldades, a ministra reafirmou a confiança do Governo no potencial de recuperação da economia a médio prazo, assente em reformas fiscais e no desenvolvimento dos projectos de gás natural liquefeito (GNL). Entre os factores que apontou estão a retoma, em Janeiro de 2026, do projecto Mozambique LNG, liderado pela TotalEnergies, os progressos no projecto Coral Norte e a recente saída de Moçambique da lista cinzenta do Grupo de Acção Financeira Internacional (GAFI).

Segundo Carla Louveira, estes desenvolvimentos poderão melhorar o ambiente de negócios, reforçar a confiança dos investidores e favorecer a mobilização de novos investimentos. A ministra sublinhou ainda que a aplicação coordenada de reformas fiscais e estruturais poderá permitir ao Estado alargar gradualmente a margem orçamental para financiar despesas sociais prioritárias, estimular a actividade económica e promover um crescimento mais sustentável.

Bo Li, por sua vez, encorajou o Governo a manter o diálogo e a cooperação com o FMI, com vista à recuperação da estabilidade macroeconómica e ao reforço do crescimento. O responsável sublinhou também a importância de as políticas económicas e financeiras terem em conta a protecção das camadas mais vulneráveis da população.

A reunião serviu para avaliar os principais desafios macroeconómicos e orçamentais de Moçambique, incluindo as limitações de liquidez, a sustentabilidade das finanças públicas e a necessidade de reformas que melhorem a capacidade de resposta do Estado. O encontro serviu ainda para reafirmar a importância de manter o diálogo entre o Executivo e o FMI na procura de soluções para os constrangimentos financeiros do País.

Apesar das perspectivas favoráveis associadas aos grandes projectos de gás natural e às reformas em curso, a situação da tesouraria do Estado continua a ser um desafio para a gestão das finanças públicas, sobretudo na execução orçamental e no cumprimento dos compromissos da dívida pública.

As autoridades moçambicanas consideram que o reforço da disciplina fiscal, a aplicação de reformas estruturais e a atracção de investimento serão determinantes para melhorar a sustentabilidade financeira do Estado e consolidar a recuperação económica nos próximos anos.