O Fundo Monetário Internacional (FMI) melhorou a previsão de crescimento da economia da África Subsaariana este ano, para 4,5%, fruto das reformas levadas a cabo nos últimos anos, mas mantendo vulnerabilidades decorrentes dos elevados encargos com a dívida.
A previsão consta da Actualização das Perspectivas Económicas de África, lançado nesta quinta-feira (15) no âmbito dos Encontros Anuais, que decorrem em Banquecoque, onde o FMI alerta que “o crescimento regional constante esconde experiências diferentes entre os países, com um abrandamento do crescimento nas economias não intensivas em recursos e uma resiliência contínua nas economias intensivas em recursos”.
Os esforços que os governos africanos têm feito para desenvolver as suas economias, principalmente através de reformas que propiciam o desenvolvimento, “ajudaram a atenuar o choque da guerra no Médio Oriente”, nomeadamente na contenção da inflação, que ainda assim deverá aumentar, de uma média de 3,4% em 2025 para 4,3% este ano e 5% em 2027.
“O ajustamento orçamental pré-guerra e a redução dos rácios da dívida constituem conquistas importantes, mas os elevados encargos com juros, as baixas reservas em muitos países, e a diminuição da ajuda deixam margem limitada para absorver outro choque adverso”, avisa o fundo.
A média do rácio da dívida sobre o Produto Interno Bruto (PIB) deverá descer de 53% no ano passado para 51,7%, adianta, mas só o pagamento dos juros da dívida leva, em média, 12% das receitas.
Os principais riscos que o continente enfrenta incluem “novas perturbações no abastecimento energético, reavaliação da dívida soberana, novas reduções da ajuda e choques climáticos graves, especialmente o El Niño”, que deverá ser particularmente gravoso na África Austral, onde estão Moçambique e Angola.
Em termos de recomendações, o Fundo Monetário Internacional defende que as políticas “devem sustentar o ajustamento orçamental necessário, poupar os ganhos extraordinários temporários decorrentes das matérias-primas, direccionar o apoio às famílias vulneráveis e conter a inflação persistente”.

Neste contexto, “proteger o investimento produtivo e possibilitar o crescimento do sector privado são essenciais para tornar os choques futuros menos onerosos e melhorar os níveis de vida a longo prazo”, concluem os economistas do FMI.
De acordo com o relatório do fundo, só Cabo Verde, com 5%, e a Guiné-Bissau, com 4,7%, crescem acima da média da região, cujas economias deverão expandir-se 4,5% este ano, mais 0,2 pontos percentuais que o previsto em Abril.
Angola, com um crescimento de 4,4%, Moçambique, com 1% e São Tomé e Príncipe, com 0,4%, estão abaixo da média da África Subsaariana, o mesmo acontecendo com a Guiné Equatorial, que mais uma vez registará uma recessão económica, desta feita de 1,7% em 2026.
Fonte: Lusa





