Cerca de 1,84 milhão de pessoas poderão enfrentar níveis de crise ou superiores de insegurança alimentar aguda em Moçambique entre Outubro de 2026 e Março de 2027. A projecção corresponde a 22% da população analisada em 46 distritos, segundo a Classificação Integrada da Segurança Alimentar (IPC), e consta dos dados divulgados pela AGRA.

A estimativa aponta para um agravamento face ao período entre Julho e Setembro de 2026, quando cerca de 1,19 milhão de pessoas enfrentavam insegurança alimentar aguda nos distritos avaliados. Destas, aproximadamente 81 mil estavam em situação de emergência. Para os próximos meses, o número de pessoas neste nível poderá aumentar para 254 mil.

A 73.ª edição do Food Security Monitor, da AGRA, citada esta sexta-feira, 16 de Outubro, pela Lusa, alerta para a fragilidade da situação no País, sobretudo nas regiões afectadas pelo conflito armado.

Nas zonas de Cabo Delgado e do norte de Nampula atingidas pela violência, o relatório prevê a persistência de condições de crise até Janeiro de 2027. Os ataques, as deslocações populacionais e as perturbações nos mercados e nos meios de subsistência continuam a limitar o acesso das famílias aos alimentos.

Em grande parte do Centro e do Sul, deverão predominar condições de pressão alimentar, correspondentes à fase 2 da IPC, embora algumas áreas possam passar a uma situação de crise durante a época de escassez, à medida que diminuem as reservas alimentares e o poder de compra.

A previsão de um fenómeno El Niño de forte intensidade constitui outro risco. A possibilidade de chuvas tardias e abaixo da média poderá comprometer as culturas, as pastagens, a disponibilidade de água e as oportunidades de trabalho agrícola.

Nos mercados moçambicanos, os preços do milho e do arroz mantiveram-se abaixo dos valores de Setembro de 2025, apesar de terem aumentado ligeiramente face a Agosto. O milho registou uma descida homóloga de 15,6% e o arroz de 27,6%.

Os fertilizantes, em contrapartida, continuaram mais caros do que um ano antes. O preço do NPK, composto por azoto, fósforo e potássio, aumentou 22,3%, enquanto o da ureia subiu 41,5%, mantendo a pressão sobre os custos de produção agrícola.