A organização humanitária CARE Moçambique prestou assistência a mais de 200 mil pessoas afectadas pelo terrorismo e pelas cheias nas províncias de Cabo Delgado, Nampula e Gaza, superando a meta inicial de 152 mil beneficiários. Apesar dos resultados, a instituição alerta que a capacidade de resposta permanece abaixo de 40% das necessidades humanitárias identificadas.
Segundo a Lusa, os apoios foram disponibilizados através do projecto Restore, desenvolvido entre Abril e Outubro, com um orçamento de oito milhões de dólares.
O director nacional-adjunto da CARE Moçambique, Vicente Adriano, explicou que cerca de 25% dos beneficiários foram afectados pelas cheias na província de Gaza, onde mais de 18 mil pessoas receberam sementes, outros insumos agrícolas e ferramentas para retomar a produção após as inundações.
Nas regiões afectadas pelo conflito armado e pelas cheias, o projecto disponibilizou também assistência alimentar, cuidados de saúde, água e saneamento, construção de abrigos, apoio à obtenção de documentos e espaços de aprendizagem para crianças.
A intervenção incluiu ainda apoios financeiros directos, sem condições de utilização, atribuídos durante três meses consecutivos, permitindo às famílias decidir como responder às suas necessidades mais urgentes.
“Na área da saúde, através de brigadas móveis realizadas em coordenação com as autoridades sanitárias distritais e provinciais, foram apoiadas mais de seis mil pessoas em zonas de difícil acesso, incluindo nos distritos de Ancuabe e Chiúre”, afirmou Vicente Adriano.
No domínio da água, saneamento e higiene, o projecto permitiu reabilitar mais de 30 fontes de água em comunidades que acolhem populações regressadas às zonas de origem, após deslocações provocadas pela violência.
Foram igualmente distribuídos kits com baldes, detergentes e sabão, destinados a responder às necessidades de higiene das famílias durante três meses.
Na área do alojamento, a intervenção possibilitou a construção de cerca de 1500 abrigos, com diferentes tipos de cobertura, adaptados às condições de segurança das comunidades.
“Construímos casas com coberturas de chapa de zinco ao nível do distrito de Chiúre, bem como casas com cobertura de lonas, sobretudo nas zonas de maior insegurança. Apesar dos resultados alcançados, alertamos para a persistência das necessidades humanitárias, a nossa capacidade de cobertura está abaixo de 40%, olhando para os problemas existentes”, declarou Vicente Adriano.
O responsável alertou ainda para as dificuldades de financiamento da resposta humanitária, numa altura em que Moçambique concorre com outras crises internacionais pelo apoio dos doadores.
Segundo a organização, a redução dos recursos disponíveis continua a limitar a assistência às populações afectadas, apesar de o projecto Restore ter ultrapassado o número de beneficiários inicialmente previsto.





