A Organização dos Trabalhadores de Moçambique – Central Sindical (OTM-CS) contestou a exclusão dos trabalhadores do diálogo nacional inclusivo e defendeu uma maior participação da classe laboral nos processos de decisão e nos grandes projectos de investimento.

A posição foi apresentada na terça-feira (13), em Maputo, pelo secretário-geral da OTM-CS, Damião Simango, na saudação ao Presidente da República, Daniel Chapo, durante as celebrações dos 50 anos da central sindical.

Simango afirmou que a OTM-CS tem sido excluída de vários processos de consulta e concertação, apesar de representar os interesses dos trabalhadores, e mostrou incompreensão por outras organizações serem ouvidas em determinadas matérias enquanto a principal central sindical do País fica de fora. “O diálogo nacional inclusivo foi até à diáspora para ouvir outros concidadãos nossos, excluindo a voz dos trabalhadores a quem representamos no nosso solo pátrio”, disse, referindo-se à ausência da organização na Comissão Técnica para o Diálogo Inclusivo (Cote), criada em 2025 no âmbito do acordo para a pacificação do país, após a crise pós-eleitoral.

O dirigente defendeu, por isso, uma participação mais estruturada da OTM-CS na concertação social e nos fóruns económicos nacionais, regionais e internacionais, sobretudo nos debates sobre políticas macroeconómicas. Para Simango, as políticas de desenvolvimento devem atender não só aos interesses do capital, mas também às dimensões humana, social e laboral, de modo a garantir uma articulação equilibrada entre empregadores e trabalhadores.

A central sindical defendeu igualmente que os trabalhadores sejam envolvidos nos grandes projectos de investimento desde as fases iniciais, com particular atenção à criação de emprego digno, à formação profissional e ao respeito pelos direitos laborais e das comunidades locais. “Somos a favor de investimentos estrangeiros que considerem o capital humano, o seu maior activo, e não apenas os lucros”, declarou Simango, acrescentando que os recursos naturais devem ser transformados no território nacional, sempre que possível, em produtos semiacabados ou acabados.

Na mesma cerimónia, Daniel Chapo defendeu maior respeito e valorização dos trabalhadores, que considerou fundamentais para alcançar a independência económica e promover o desenvolvimento do País.

O chefe do Estado afirmou que o aumento da produtividade e das exportações, bem como a redução das importações, devem ser acompanhados de medidas de protecção da saúde e da segurança dos trabalhadores. “A produtividade não pode ser alcançada à custa da vida ou da saúde do trabalhador”, disse Chapo, sublinhando que a segurança e a saúde no trabalho devem continuar no centro das políticas laborais e das responsabilidades das empresas.

O Presidente destacou ainda a necessidade de reforçar a formação e a qualificação profissional, para preparar os trabalhadores para a transformação tecnológica e as mudanças no mercado de trabalho. Defendeu também maior valorização dos trabalhadores do sector informal, através da criação de oportunidades e do reforço da protecção social, e apelou às empresas para investirem na capacitação profissional, na inovação e no aumento da produtividade.