O Presidente da República Portuguesa, António José Seguro, defendeu uma discussão aberta entre os membros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) sobre os desafios e as oportunidades da organização. Na abertura de um colóquio sobre os seus 30 anos, realizado a 8 de Outubro, em Lisboa, apelou a uma acção conjunta mais forte nos oceanos e ao reforço da promoção internacional da língua portuguesa.
No Centro Cultural de Belém, em Lisboa, Seguro afirmou que “o espaço lusófono constitui uma prioridade da política externa portuguesa”, partilhada pelos órgãos de soberania, pela administração pública e pela sociedade civil.
Recordou que a CPLP foi a primeira organização internacional que visitou após tomar posse e que escolheu Cabo Verde para a sua primeira visita de Estado, em Julho, como sinais do compromisso com o aprofundamento dos laços entre os países lusófonos.
No balanço das três décadas da comunidade, destacou o crescimento do número de membros e observadores, a projecção do português, o alargamento da cooperação a praticamente todos os sectores e a maior influência político-diplomática da organização.
“Juntos somos mais fortes”, afirmou, defendendo que os países membros devem reforçar os valores e princípios da CPLP e discutir os problemas e as oportunidades que partilham.
Entre as prioridades, apontou a promoção da língua portuguesa, tanto nos Estados-membros como no plano internacional, mantendo a ambição de a tornar língua oficial das Nações Unidas.
Seguro destacou também os oceanos como uma área estratégica para uma intervenção conjunta mais forte e defendeu uma maior aproximação às novas gerações, a quem caberá assegurar a continuidade da comunidade.
Num contexto internacional de crescente instabilidade, apelou ainda ao reforço do papel da CPLP na promoção do diálogo, da paz e da estabilidade.
O colóquio decorreu numa altura em que a Guiné-Bissau permanece suspensa da organização, na sequência do golpe militar de Novembro de 2025. Timor-Leste assumiu entretanto a presidência temporária da comunidade.
Na sua intervenção, o chefe de Estado enumerou os nove membros da CPLP: Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste.
“Juntos, somos cerca de 300 milhões de pessoas e mais de dez milhões de quilómetros quadrados. Juntos, temos mais peso na política e na economia global”, afirmou.
A presença dos países da comunidade em quatro continentes e em diferentes organizações regionais constitui, na sua perspectiva, “um valioso activo” para ampliar a influência colectiva.
Como exemplo, Seguro destacou o apoio mútuo a candidaturas internacionais e agradeceu o contributo dos parceiros lusófonos para a eleição de Portugal como membro não permanente do Conselho de Segurança das Nações Unidas no biénio 2027-28.





