Os preços do petróleo registam ligeiras quedas esta segunda-feira, 12 de Outubro, num mercado marcado pelo anúncio de um alegado “cessar-fogo energético” entre a Rússia e a Ucrânia, feito pelos Estados Unidos da América (EUA), mas ainda sem confirmação de Moscovo ou Kiev. A notícia está a sobrepor-se às preocupações com o agravamento das tensões no Médio Oriente, após novos ataques dos rebeldes houthis à Arábia Saudita.

Durante a manhã, o Brent do Mar do Norte, referência para o mercado europeu, recuava 0,04%, para 104,68 dólares por barril, enquanto o West Texas Intermediate (WTI), referência norte-americana, descia 0,52%, para 91,37 dólares.

Em sentido contrário, os futuros do gás natural negociados em Amesterdão valorizavam 0,57%, para 81,93 euros por megawatt-hora.

Os movimentos mais expressivos registavam-se nos futuros do gasóleo europeu, que chegaram a perder mais de 8% durante a madrugada, antes de reduzirem a queda para cerca de 6%.

A descida surgiu depois de o Presidente norte-americano, Donald Trump, ter anunciado que o seu homólogo russo, Vladimir Putin, concordara em disponibilizar imediatamente 300 mil toneladas de gasóleo, apesar das sanções internacionais aplicadas aos produtos energéticos russos.

Durante o fim-de-semana, Trump anunciou também um alegado “cessar-fogo energético” entre Moscovo e Kiev, afirmando que o entendimento teria efeitos imediatos.

O Presidente ucraniano mostrou-se surpreendido com o anúncio, embora tenha admitido apoiar um acordo dessa natureza caso a Rússia também o respeite. Até ao momento referido na notícia, o Kremlin não tinha comentado publicamente a existência do entendimento.

A incerteza quanto à evolução dos conflitos na Ucrânia e no Médio Oriente continua a influenciar os mercados energéticos.

Na Arábia Saudita, os rebeldes houthis, apoiados pelo Irão, realizaram novos ataques contra um aeroporto, enquanto persistem os incidentes envolvendo embarcações no Estreito de Ormuz, uma das principais rotas mundiais de transporte de petróleo.

Apesar da escalada de tensão, a reacção dos preços tem sido relativamente contida, uma vez que o transporte marítimo de petróleo não foi totalmente interrompido e os ataques dos houthis não atingiram instalações de produção petrolífera.

“Não é a infra-estrutura energética que está a ser afectada”, explicou Warren Patterson, director de matérias-primas do ING Groep, citado pela Bloomberg.