A empresa finlandesa Elementic desenvolveu um revestimento para paredes produzido a partir de lignina, um componente natural da madeira, que, segundo a fabricante, permite armazenar o equivalente a cerca de 2,4 quilogramas de dióxido de carbono (CO₂) por cada quilograma de material. Designado MO6, o produto procura oferecer uma alternativa aos revestimentos convencionais, aproveitando uma matéria-prima proveniente da indústria madeireira.

A lignina é uma substância presente nas paredes celulares das plantas, responsável por conferir rigidez e resistência à madeira. Apesar da sua abundância, parte da lignina separada durante o processamento industrial é utilizada como combustível para produção de energia, devido às dificuldades de aproveitamento noutras aplicações.

Para transformar esta matéria-prima num material de construção, a Elementic desenvolveu um processo patenteado de tratamento e remoção de impurezas, que recorre a um biorreactor. O resultado é, segundo a empresa, um composto sólido, leve, durável e resistente ao fogo.

A fabricante destaca a elevada concentração de carbono do MO6 e sustenta que, em condições adequadas, o material poderá conservar esse carbono durante períodos prolongados, potencialmente de milhares de anos.

“É um material bastante desafiador, mas adoramos a lignina porque é uma matéria-prima muito rica em carbono”, afirmou Johanna Normiala, responsável pela marca MO6.

Actualmente, o MO6 é comercializado sob a forma de placas para revestimento de paredes em espaços interiores secos, com acabamentos lisos ou de textura mais áspera.

A empresa identifica hotéis, restaurantes e projectos de arquitectura e design de interiores como potenciais mercados para o produto. Em paralelo, está a desenvolver tijolos à base da mesma tecnologia, com o objectivo de alargar a sua utilização na construção civil.

O aproveitamento da lignina permite explorar novas aplicações para um subproduto industrial que, de outra forma, poderia ser utilizado como combustível ou ter menor valorização económica.

Segundo o site Ciclo Vivo, a capacidade de reter carbono constitui um dos principais atributos ambientais apresentados pela Elementic, num sector responsável por uma parcela significativa das emissões globais de gases com efeito de estufa.

Contudo, o benefício climático efectivo do MO6 depende não apenas do carbono incorporado no material, mas também das emissões associadas à extracção e ao processamento da matéria-prima, ao fabrico, ao transporte e ao destino do produto no final da sua vida útil.

Uma avaliação completa do seu impacto ambiental exige, por isso, considerar todo o ciclo de vida do revestimento.