O risco cambial resulta das variações da taxa de câmbio entre duas moedas. Para um investidor, surge quando existe exposição a activos denominados numa moeda diferente do metical. Nesses casos, o resultado do investimento pode depender tanto do desempenho do activo como da evolução da moeda estrangeira face à moeda nacional.
Por exemplo, quem investe num activo denominado em dólares fica exposto não apenas à sua valorização ou desvalorização, mas também à evolução da taxa de câmbio entre o dólar e o metical.
Se o activo valorizar, mas o dólar perder valor face ao metical, parte do ganho pode ser anulada pelo efeito cambial. Se, pelo contrário, a moeda norte-americana se valorizar, esse movimento pode aumentar a rendibilidade do investimento quando expressa em meticais.
Porque é que as moedas mudam de valor?
Segundo o portal Doutor Finanças, as taxas de câmbio são influenciadas por vários factores económicos e financeiros, entre os quais as decisões dos bancos centrais sobre as taxas de juro, a inflação, o crescimento económico, os fluxos comerciais e de investimento e a percepção de risco dos investidores.
Em Moçambique, as oscilações do metical face a outras moedas podem afectar empresas e investidores expostos ao comércio internacional, às importações e exportações, ao financiamento externo ou a activos denominados em moeda estrangeira.
As condições da economia internacional, os preços das matérias-primas e os movimentos de capitais podem igualmente influenciar a evolução das taxas de câmbio.
Como é que o risco cambial afecta os investidores?
Um investidor que detenha activos denominados numa moeda estrangeira fica, em princípio, exposto às oscilações dessa moeda, excepto quando existam mecanismos de cobertura do risco cambial.
Ao investir em acções norte-americanas, por exemplo, pode existir exposição ao dólar. O mesmo acontece com activos denominados em rands, euros ou outras moedas. Este efeito pode verificar-se igualmente em fundos, obrigações e outros instrumentos financeiros com exposição cambial.
Não é necessário efectuar directamente uma operação de câmbio para estar sujeito a este risco. O impacto torna-se evidente quando se calcula o valor do investimento em meticais.
Exemplo prático: investir em acções norte-americanas
Imagine um investidor moçambicano que aplica o equivalente a 1 milhão de meticais num conjunto de acções norte-americanas denominadas em dólares.
Ao fim de um ano, as acções valorizaram 10%. Esta subida não significa, contudo, que a rendibilidade medida em meticais seja também de 10%.
Se, durante o mesmo período, o dólar perder valor face ao metical, parte ou, em determinadas circunstâncias, a totalidade da valorização das acções poderá ser anulada pelo efeito cambial.
Se acontecer o inverso e o dólar se valorizar, o investidor poderá beneficiar simultaneamente da subida das acções e de um efeito cambial favorável.
Por isso, a rendibilidade de um investimento internacional deve ser avaliada também na moeda em que o investidor mede o seu património, neste caso, o metical.





