Maputo, 06 de Nov (AIM) – Moçambique poderá aumentar o seu Produto Interno Bruto (PIB) em até 491 milhões de dólares nos próximos dez anos com o aproveitamento da inteligência artificial (IA), segundo o Índice Ayre 2026, que coloca o país na 44.ª posição entre 56 Estados da Commonwealth em matéria de preparação dos jovens para esta tecnologia.

O estudo atribui a Moçambique 38,9 pontos em 100, abaixo dos 53 pontos considerados necessários para alcançar um nível de preparação adequado. A investigação identifica como principais obstáculos o acesso limitado à electricidade, a fraca utilização da Internet, o custo dos dados móveis e a pobreza entre os jovens trabalhadores.

De acordo com os resultados, apenas 36,9% da população moçambicana tem acesso à electricidade, cerca de metade dos jovens possui telemóvel e 35% utiliza a Internet. O documento indica ainda que 80,5% dos jovens empregados vivem na pobreza e apenas 0,3% dos trabalhadores entre os 15 e os 24 anos estão inseridos nas duas categorias profissionais mais expostas à inteligência artificial generativa.

Na vertente da segurança digital, 79,3% dos utilizadores moçambicanos da Internet, com idades entre os 15 e os 29 anos, manifestaram grande preocupação com o possível roubo de dados pessoais. O país obteve igualmente 1,8 pontos em 10 no indicador de direitos, segurança e participação.

Quanto ao impacto económico, os investigadores estimam que a inteligência artificial poderá elevar o nível do PIB de Moçambique em 156 milhões de dólares no cenário conservador, 324 milhões no cenário moderado e 491 milhões no cenário optimista, ao fim de dez anos.

O estudo assinala também iniciativas nacionais de promoção do empreendedorismo e da literacia digital, incluindo a inauguração de uma incubadora de empreendedorismo juvenil em Nampula e o lançamento do programa MAZA IA, destinado a apoiar alunos e professores na aprendizagem sobre inteligência artificial.

O Índice Ayre avaliou as condições de preparação dos jovens para a IA em 56 países da Commonwealth, abrangendo cerca de 732 milhões de jovens e recorrendo a 1.128 fontes de investigação. O documento apresenta cinco áreas prioritárias: acesso à tecnologia, educação e competências práticas, ligação entre formação e emprego, desenvolvimento de ferramentas adaptadas às realidades locais e protecção dos direitos digitais.

Os dados foram partilhados através de um comunicado de imprensa enviado à Agência de Informação de Moçambique (AIM) pela Ayre.
(AIM)
Redaccao