Administrador Apostólico da Diocese de Quelimane passa a ter estatuto processual de arguido no processo que investiga o assassinato do bispo Dom Osório Citora Afonso.

QUELIMANE – O Administrador Apostólico da Diocese de Quelimane, Dom Estêvão Ângelo Fernando, foi constituído arguido no âmbito do processo que investiga o assassinato do bispo Dom Osório Citora Afonso, ocorrido a 6 de Junho de 2026, na residência episcopal, na cidade de Quelimane.

A constituição de Dom Estêvão como arguido representa mais um desenvolvimento num caso que, desde o seu início, tem despertado grande atenção e expectativa entre a comunidade católica e a sociedade moçambicana.

Dom Osório Citora Afonso, que na altura exercia as funções de bispo de Quelimane e administrador apostólico da Arquidiocese da Beira, foi encontrado morto na madrugada de 6 de Junho, vítima de um disparo de arma de fogo. O assassinato provocou uma onda de consternação a nível nacional e internacional, levando o Governo a garantir a realização de investigações rigorosas para identificar os responsáveis materiais e morais pelo crime.

Nos primeiros dias das investigações, o Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC) confirmou a detenção de três suspeitos, incluindo pessoas ligadas à estrutura da Diocese. Os indivíduos foram posteriormente apresentados às autoridades judiciais, que determinaram a aplicação da prisão preventiva.

O nome de Dom Estêvão Ângelo Fernando já havia sido mencionado publicamente no contexto das informações divulgadas sobre as diferentes linhas de investigação do homicídio.

Em Julho, a Diocese de Quelimane, através de um comunicado subscrito pelo próprio Administrador Apostólico e pelo Colégio dos Consultores, manifestou o seu repúdio pela divulgação de informações relacionadas com o processo. Na ocasião, a instituição considerou que determinadas publicações poderiam comprometer o segredo de justiça e prejudicar o princípio da presunção de inocência das pessoas mencionadas.

Na mesma altura, Dom Estêvão declarou que também figurava entre as pessoas visadas pelas publicações.

Entretanto, as investigações prosseguiram. Ainda em Julho, o procurador-chefe provincial da Zambézia, Freddy Jamal, confirmou que o processo continuava na fase de instrução preparatória e permanecia sujeito ao segredo de justiça, assegurando que as diligências das autoridades estavam em curso.

Já em Setembro, a Conferência Episcopal de Moçambique voltou a expressar preocupação perante a falta de respostas conclusivas sobre o assassinato de Dom Osório Citora Afonso.

Após uma assembleia extraordinária realizada na Matola, entre os dias 2 e 4 de Setembro, os bispos manifestaram a sua preocupação com a permanência de questões fundamentais por esclarecer, nomeadamente a identidade de quem executou o crime, os seus possíveis mandantes e as motivações que estiveram na origem do assassinato.

O processo continua, assim, a ser acompanhado com grande expectativa, enquanto se aguardam esclarecimentos sobre as circunstâncias e os responsáveis pelo homicídio que abalou a Igreja Católica em Moçambique.