O Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC) reconhece que alguns dos seus agentes têm colaborado com grupos do crime organizado, comprometendo os esforços da instituição no combate à criminalidade em Moçambique.

A informação foi avançada pelo director-geral do SERNIC, Ilídio Miguel, que falava à imprensa na terça-feira. Segundo o responsável, a passagem da instituição para a tutela da Procuradoria-Geral da República (PGR) constitui um dos factores que estão a contribuir para o processo de reestruturação do serviço.

De acordo com Ilídio Miguel, Moçambique completou 12 meses sem registo de casos de rapto, um resultado que o dirigente associa às reformas actualmente em curso na instituição.

A onda de raptos, que afecta particularmente empresários de origem asiática, regista-se em Maputo, Matola e noutras cidades moçambicanas desde 2011. Este fenómeno teve consequências negativas para a economia nacional, ao afastar investidores e contribuir para que várias empresas transferissem os seus capitais para outros países.

Desde 2022, os raptos passaram também a ser identificados como uma fonte de financiamento do terrorismo, situação que levou à adopção de legislação específica para combater simultaneamente este tipo de crime e o terrorismo.

“Hoje sentimos que temos maior autonomia e, ao mesmo tempo, recursos materiais e humanos suficientes para responder aos desafios que enfrentamos. Como sabem, o combate ao crime organizado exige recursos adequados, tanto humanos como materiais, mas, acima de tudo, o factor humano”, afirmou Ilídio Miguel.

SERNIC reconhece desafios internos e afasta agentes envolvidos

Apesar dos progressos alcançados, o director-geral do SERNIC alertou que os resultados não devem conduzir à complacência, reconhecendo que o crime organizado continua a representar uma ameaça dentro da própria instituição.

“Reconhecemos que existem desafios no seio das nossas próprias fileiras, razão pela qual continuamos a proceder à limpeza interna. Este não é um fenómeno exclusivo da Polícia ou do SERNIC. O crime organizado tende a cooptar e a infiltrar-se em instituições estratégicas para alcançar os seus objectivos. É nossa responsabilidade proteger as nossas instituições e impedir que o crime organizado penetre nas nossas fileiras”, declarou.

O responsável acrescentou que alguns agentes já foram afastados do SERNIC devido a comportamentos dessa natureza, sublinhando que a instituição não pode negar a existência do problema.

As declarações evidenciam os desafios que o serviço enfrenta na consolidação das reformas e no reforço da sua capacidade de investigação criminal, numa altura em que procura combater os raptos e outras formas de criminalidade organizada no país.

Fonte: Agência de Informação de Moçambique (AIM), citada pelo Club of Mozambique