Edil de Quelimane diz que a cidade continua a enfrentar dificuldades orçamentais para recuperar infra-estruturas danificadas pelo ciclone Freddy.  Manuel de Araújo falava à margem do Workshop promovido pelas Nações Unidas e pela cooperação alemã que visa reforçar a capacidade dos municípios para mobilizar financiamento internacional. O evento junta municípios de cinco países africanos, nomeadamente Uganda, Maurícias, Namíbia, Egipto e Kenya.

O edil de Quelimane, Manuel de Araújo, defende a necessidade de encontrar soluções de financiamento para ajudar os municípios a prevenir e responder aos desastres naturais, num contexto em que várias cidades moçambicanas continuam a enfrentar os efeitos da passagem de fenómenos climáticos extremos.

Falando à margem do workshop do programa Tornando as Cidades Resilientes 2030, Manuel de Araújo recordou os estragos provocados pelos ciclones Idai ocorrido em Março de 2019, atingindo a cidade da Beira, e Freddy, que assolou Quelimane, em 2023 sublinhando que os sinais de destruição continuam visíveis na capital provincial da Zambézia.

O edil afirma que Quelimane continua a enfrentar dificuldades orçamentais para intervir nas infra-estruturas danificadas pelo ciclone Freddy, situação que evidencia os desafios financeiros dos municípios na recuperação após a ocorrência de desastres naturais.

“Os danos provocados pelo ciclone Freddy nas infraestruturas públicas e privadas na nossa urbe, estão orçados entre 400 a 600 milhões de dólares. Vale lembrar que muitos empresários viram suas infraestruturas danificadas, escolas, hospitais, pontes e muitas outras infraestruturas” disse o edil para quem  é fundamental haver um movimento que visa a captação de financiamento quer nacional ou então internacional, para permitir que os municípios tenham a capacidade de responder os danos causados pelos eventos ciclônicos” disse De Araujo esperando que o workshop permita encontrar soluções concretas para reforçar a resiliência urbana e melhorar a capacidade de resposta das autarquias perante os eventos climáticos extremos.

A iniciativa, promovida pelo Escritório das Nações Unidas para a Redução do Risco de Desastres, em parceria com a Iniciativa de Resiliência para África, da cooperação alemã, pretende capacitar os municípios para desenvolver projectos e mobilizar recursos junto de organismos financeiros internacionais.

Isabel Njihia oficial de gestão de programas nos escritório das Nações Unidas para a Redução do Risco de Desastres, refere que o seu organismo, não dispõe necessariamente de um fundo próprio para financiar os municípios, mas presta assistência técnica e ajuda os governos a identificar fontes de financiamento e a preparar candidaturas aos recursos disponíveis. 

“Por isso deste encontro, queremos que os municípios saiam daqui com conhecimento suficiente para saber elaborar projectos e avançar para os organismos de financiamento internacionais, para captação de investimentos” disse Njihia recordando que “Como fazemos parte do Secretariado das Nações Unidas, somos, de certa forma, uma agência de natureza normativa. Por isso, fornecemos orientações sobre políticas e estratégias, além de assistência técnica especializada. Embora não disponhamos necessariamente de um fundo próprio ao qual os países possam recorrer directamente para solicitar financiamento, trabalhamos também com instituições financeiras” precisou. 

O objectivo do Workshop é permitir que as autarquias tenham melhores condições para aceder a mecanismos de financiamento destinados à prevenção, mitigação e recuperação dos danos provocados por desastres naturais.