O Millennium bim defende melhores condições de financiamento, formação e acesso a posições de liderança para as mulheres moçambicanas, numa altura em que persistem diferenças significativas na participação económica feminina. Segundo o Banco Mundial, apenas 45,5% das mulheres adultas possuíam uma conta financeira em 2024, contra 63,4% dos homens. No tecido empresarial abrangido pelo inquérito da instituição, as mulheres participam na propriedade de 33,7% das empresas, mas ocupam posições de gestão de topo em apenas 21,3%.
Questões-Chave:
- Financiamento Empresarial: Millennium bim defende maior acesso das mulheres ao capital, à formação e às oportunidades de crescimento dos negócios;
- Inclusão Financeira: Apenas 45,5% das mulheres adultas possuíam uma conta financeira em 2024, contra 63,4% dos homens;
- Participação Empresarial: Mulheres participavam na propriedade de 33,7% das empresas abrangidas pelo Enterprise Survey de 2025;
- Liderança: Apenas 21,3% das empresas inquiridas tinham uma mulher na principal posição de gestão;
- Autonomia Económica: Banco destaca a importância da educação financeira, das redes empresariais e da participação feminina nos espaços de decisão;
- Política Institucional: Millennium bim afirma acompanhar indicadores de género para identificar diferenças de acesso e utilização dos seus serviços financeiros.
O Millennium bim defendeu a necessidade de ampliar o acesso das mulheres ao financiamento empresarial, à formação e às oportunidades de liderança, considerando que a participação feminina na economia continua condicionada por obstáculos que dificultam o crescimento dos negócios e a autonomia financeira.
A posição foi apresentada durante o encontro «As Mulheres deste Millennium», realizado a 15 de Outubro, em Maputo, que reuniu empresárias, empreendedoras, clientes e representantes de instituições públicas e privadas.
A iniciativa proporcionou um espaço de reflexão sobre financiamento, gestão de recursos, desenvolvimento empresarial e participação das mulheres nos processos de decisão.

O debate decorreu num contexto em que os indicadores de inclusão financeira continuam a evidenciar diferenças expressivas entre homens e mulheres.
Segundo o Global Findex 2025, do Banco Mundial, baseado em dados recolhidos em 2024, apenas 45,5% das mulheres adultas em Moçambique possuíam uma conta numa instituição financeira ou utilizavam serviços de moeda electrónica, contra 63,4% dos homens.
A diferença de 17,9 pontos percentuais ultrapassa o fosso médio de 12,1 pontos percentuais registado na África Subsaariana.
Embora a titularidade de contas financeiras não corresponda directamente ao acesso a crédito, constitui um indicador importante da integração económica, permitindo às famílias e empresas utilizar instrumentos formais de pagamento, poupança e gestão de recursos.
A redução destas diferenças poderá contribuir para ampliar a participação das mulheres nas actividades económicas, especialmente nos pequenos negócios que enfrentam dificuldades para mobilizar capital e financiar a sua expansão.
Millennium bim Associa Financiamento à Criação de Rendimento e Emprego
Para a administradora executiva do Millennium bim, Liliana Catoja, ampliar a participação económica feminina exige que as instituições compreendam os obstáculos enfrentados pelas mulheres e contribuam para criar condições de desenvolvimento empresarial.
“Em Moçambique, o talento, a capacidade de trabalho e a iniciativa das mulheres estão presentes em todos os sectores. O desafio é garantir que esse potencial encontre financiamento, conhecimento e oportunidades para crescer.”
A responsável destacou igualmente os efeitos económicos e sociais associados ao desenvolvimento do empreendedorismo feminino.
“Quando uma mulher desenvolve o seu negócio ou chega a uma posição de liderança, o impacto estende-se às pessoas que trabalham consigo, às famílias e às comunidades.”
O crescimento das empresas lideradas por mulheres pode contribuir para ampliar as oportunidades de emprego, aumentar a circulação de rendimento e diversificar a actividade produtiva.
Contudo, a transformação de iniciativas empresariais em negócios sustentáveis exige condições de financiamento compatíveis com as necessidades de investimento, capital circulante e desenvolvimento comercial.
Para as micro, pequenas e médias empresas, o acesso ao crédito está frequentemente associado à disponibilidade de garantias, organização contabilística, informação financeira e capacidade de demonstrar a viabilidade dos investimentos.
A formação em gestão e finanças empresariais apresenta, por isso, importância na preparação dos negócios para o relacionamento com as instituições bancárias.
Mulheres Participam na Propriedade de 33,7% das Empresas, Mas Lideram 21,3%
As diferenças de género também se manifestam na organização e direcção do tecido empresarial moçambicano.
Segundo o Enterprise Survey de 2025, do Banco Mundial, as mulheres participavam na propriedade de 33,7% das empresas abrangidas pelo inquérito, mas apenas 21,3% dessas empresas tinham uma mulher na principal posição de gestão.
Os dados mostram uma diferença entre a participação feminina no capital das empresas e a sua presença nas posições executivas.
É importante considerar que os indicadores dizem respeito às empresas abrangidas pelo inquérito e não representam a totalidade das actividades económicas, particularmente os negócios informais.
Ainda assim, a informação permite contextualizar as dificuldades associadas ao acesso a oportunidades de liderança e às responsabilidades de gestão empresarial.
Durante o encontro, esta dimensão foi abordada por Thera Dai, Bastonária da Ordem dos Advogados de Moçambique e primeira mulher eleita para dirigir a instituição.
A jurista participou na sessão «A Mulher Que o Futuro Precisa de Ver em Nós», dedicada à liderança feminina e à participação nos espaços de decisão.
A sua intervenção integrou uma reflexão mais ampla sobre desenvolvimento profissional, autonomia económica e presença das mulheres nas instituições.
Comércio, Agro-Processamento e Tecnologias Apresentam Diferentes Necessidades de Capital
A componente empresarial do evento foi desenvolvida no painel «Mulheres Que Transformam Sonhos em Negócios Sustentáveis», moderado por Alima Hussein Sauji.
Participaram Sylvie Muganga, empreendedora no comércio, Isabel Mandofa, no agro-processamento, e Liana Cuambe, nas tecnologias de informação e comunicação.
As intervenientes partilharam experiências relacionadas com a criação, gestão e expansão das respectivas actividades.
Os sectores representados apresentam necessidades financeiras distintas.
No comércio, o capital circulante permite financiar existências, assegurar o abastecimento e responder às oscilações da procura.
No agro-processamento, as necessidades de investimento envolvem frequentemente equipamentos, instalações industriais, matérias-primas, armazenamento e logística.
Nas tecnologias de informação e comunicação, o financiamento pode destinar-se ao desenvolvimento de produtos, aquisição de ferramentas tecnológicas e contratação de profissionais especializados.
A diversidade destas actividades evidencia a importância de instrumentos financeiros adaptados aos ciclos de investimento e às características económicas dos negócios.
O desenvolvimento empresarial exige igualmente acesso aos mercados, capacidade de gestão e relações comerciais que assegurem condições de crescimento sustentável.
Educação Financeira Integra Estratégia de Apoio às Empreendedoras
A importância da gestão financeira foi abordada na conversa «Finanças Inteligentes Para Mulheres», que reuniu a consultora Nancy Come e Virgínia Cardoso, Directora Coordenadora de Marketing de Empresas e Corporate do Millennium bim.
A sessão incidiu sobre a organização dos recursos financeiros e a tomada de decisões relacionadas com poupança, investimento e gestão empresarial.
A capacidade de preparar orçamentos, controlar os fluxos de caixa e avaliar necessidades de financiamento constitui uma dimensão importante da sustentabilidade dos negócios.
A melhoria destas competências pode facilitar o relacionamento com as instituições financeiras e permitir decisões de investimento mais adequadas às condições de cada empresa.
O Millennium bim informou ainda que tem vindo a adoptar mecanismos destinados a promover o acesso e a utilização equitativos dos seus produtos e serviços financeiros.
Entre as medidas apresentadas encontra-se a monitorização de indicadores de género, que permite identificar progressos e áreas onde persistem diferenças na participação económica feminina.
O comunicado não especifica, contudo, montantes de financiamento concedidos a empresas lideradas por mulheres nem novos compromissos quantitativos de crédito resultantes do encontro.
A avaliação dos efeitos destas políticas poderá beneficiar da divulgação futura de indicadores sobre empresas financiadas, valores concedidos, evolução dos negócios e utilização dos serviços financeiros.
Inclusão Financeira Feminina Ganha Importância Para o Crescimento Empresarial
A participação económica das mulheres constitui uma componente relevante da expansão do sector privado moçambicano.
O acesso ao capital, às competências de gestão e às redes empresariais pode contribuir para aumentar a capacidade de investimento dos negócios e melhorar a sua integração nos mercados.
A presença feminina nas posições de decisão também influencia as oportunidades de desenvolvimento profissional e a utilização de competências disponíveis na economia.
Num contexto de necessidades elevadas de financiamento empresarial, as instituições bancárias desempenham um papel importante na criação de instrumentos que permitam ampliar a base de clientes e apoiar actividades economicamente viáveis.
As iniciativas de inclusão financeira deverão, porém, ser acompanhadas por mecanismos adequados de avaliação de risco e por condições de financiamento sustentáveis.
Durante o encontro, o Millennium bim defendeu que o apoio às empreendedoras deve combinar financiamento, capacitação, redes de contacto e oportunidades de participação nos órgãos de decisão.
As participantes manifestaram interesse na continuidade destas iniciativas, valorizando a possibilidade de partilhar experiências e identificar oportunidades de colaboração.
O programa incluiu ainda um momento poético protagonizado por Lara Almeida da Cruz e foi encerrado pela administradora executiva do Millennium bim, Ana Torres.
Os indicadores de inclusão financeira e liderança empresarial mostram que existe margem para ampliar a participação feminina na economia moçambicana. A redução destas diferenças poderá contribuir para o crescimento dos negócios, o desenvolvimento do sector privado e a criação de novas oportunidades de rendimento e emprego.
A evolução do financiamento empresarial feminino, da formalização dos negócios e da representação das mulheres nas posições de gestão constituirá uma dimensão relevante para acompanhar os resultados das iniciativas de inclusão promovidas pelas instituições financeiras.



