Um estudo desenvolvido pela médica cardiologista e investigadora do Instituto Nacional de Saúde (INS), Ana Macumbi, defende que as mudanças climáticas podem agravar as doenças crónicas e dificultar o acesso aos cuidados de saúde em Moçambique.
A informação foi apresentada durante a 3.ª Conferência Internacional sobre o Impacto das Mudanças Climáticas na Saúde, subordinada ao tema “Stress térmico, poluição do ar, doenças não transmissíveis e impactos no sistema de saúde”.
O estudo teve como objectivo analisar a relação entre as alterações climáticas e as doenças não transmissíveis, como as doenças cardiovasculares, respiratórias, o cancro, e as diabetes. Destaca que as estas doenças representam cerca de 28% de todas as mortes em Moçambique.
A investigação aborda as dificuldades de acesso aos cuidados de saúde, medicamentos e outros insumos durante os desastres climáticos. Parte do estudo foi realizada no distrito de Nhamatanda, onde a população ficou bastante afectada com a destruição de uma unidade sanitária destruída pelo ciclone Idai. O caso evidencia os desafios de assegurar a continuidade dos serviços de saúde durante e após calamidades naturais.
A apresentação destacou ainda que os eventos climáticos extremos podem contribuir para a insegurança alimentar, a desnutrição e o agravamento de doenças crónicas. “Entre as possíveis complicações estão as crises hipertensivas, as doenças renais agudas e os acidentes vasculares cerebrais”, destacou a investigadora.
Na mesma plenária, foram debatidos estudos sobre os efeitos do calor extremo e da poluição do ar na saúde, por Saria Hassan, Médica e Cientista na Escola de Medicina da Emory, e Caredee Wright, cientista-especialista-chefe no Conselho Sul-Africano de Investigação Médica, tendo destacado a importância de reforçar a investigação e a adopção de medidas integradas para proteger as populações mais vulneráveis.
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