- Waldemar de Sousa foi administrador do Banco de Moçambique durante o mandato de Armando Guebuza e esteve envolvido na contratação das dívidas ocultas
Por Noémia Mendes
Maputo (MOZTIMES) – O Presidente Daniel Chapo nomeou Waldemar de Sousa para o cargo de governador do Banco de Moçambique, em substituição de Rogério Zandamela, anunciou a Presidência da República, na noite desta segunda-feira, através de um comunicado.
De Sousa é quadro de longa data do Banco Central e já ocupou o cargo de administrador durante o mandato de Armando Guebuza. Entretanto, foi nesse período que De Sousa foi acusado pela Procuradoria-Geral da República de envolvimento no escândalo das dívidas ocultas, por ter autorizado ilegalmente a contratação de empréstimos de mais de dois mil milhões de dólares, com garantias do Estado.
Segundo publicou a imprensa local na altura, De Sousa chegou a ser constituído arguido no caso das dívidas ocultas, juntamente com Ernesto Gove e Joana Matsombe, respectivamente governador e administradora do Banco de Moçambique no período em que as dívidas foram contraídas. O envolvimento de altos quadros do Banco Central no maior escândalo de corrupção do país nunca foi esclarecido.
As dívidas ocultas referem-se a empréstimos de mais de dois mil milhões de dólares contraídos por empresas de fachada, EMATUM, ProIndicus e Mozambique Asset Management (MAM), criadas no Governo de Guebuza sob o pretexto de financiar projectos de segurança costeira. Contudo, uma parte significativa do valor acabou por desaparecer em esquemas de corrupção e no pagamento de subornos a altos dirigentes do Estado.
Altas figuras do Governo foram julgadas e condenadas no âmbito desse processo, incluindo o filho do então Presidente Armando Guebuza, o ministro das Finanças, Manuel Chang, e o director dos Serviços de Inteligência, Gregório Leão, todos por terem recebido subornos para facilitar a contratação das dívidas.
O processo autónomo das dívidas ocultas, no qual os quadros do Banco Central foram constituídos arguidos, nunca foi levado a julgamento. Com a saída de Filipe Nyusi da Presidência da República, em 2025, parece que este processo, muito politizado, foi “enterrado”. A nomeação de Waldemar de Sousa pode confirmar este entendimento.
Segundo um comunicado da Presidência, De Sousa toma posse na manhã desta quarta-feira, juntamente com o vice-governador, Felisberto Dinis Navalha, também nomeado ontem pelo Presidente Chapo. (NM)



