Nampula (IKWELI) – O Fundo Monetário Internacional (FMI) alerta, com preocupação, os principais riscos que poderão afectar negativamente, nos próximos tempos, o crescimento económico dos países do continente africano.

A alerta foi colocada, publicamente, na última quinta-feira (15), durante uma reunião de apresentação do relatório do Fundo Monetário Internacional (FMI), na Universidade Rovuma (UniRovuma), na cidade de Nampula.

O relatório contem as perspectivas económicas da África subsaariana, e o encontro contou com a participação de estudantes, docentes e profissionais de diferentes sectores públicos e privados.

Na ocasião, o representante residente do Fundo Monetário Internacional (FMI) em Moçambique, Olamide Harrison, disse que os países africanos poderão ser afectados por riscos que impedirão o crescimento económico devido as dívidas públicas, a inflação, o financiamento da economia e vulnerabilidade aos choques externos.

Harrison aproveitou a ocasião para dar a conhecer que a guerra no Médio Oriente tem representado um risco nos ganhos económicos alcançados pelos países da África subsaariana, por supostamente os possíveis efeitos de preços nas matérias-primas, nos mercados financeiros, na inflação e nas perspectivas de crescimento económico.

“As repercussões financeiras do conflito já se reflectem em oscilações cambiais e no aumento dos diferenciais das obrigações soberanas, factores que podem agravar as condições de financiamento dos países da região. A persistência da guerra poderá intensificar estas pressões, sobretudo nas economias mais dependentes das importações”, explicou o representante do FMI em Moçambique.

Esta fonte acrescentou que “os impactos variam de acordo com a estrutura económica de cada país. Enquanto os exportadores de petróleo poderão beneficiar de receitas adicionais resultantes da subida dos preços internacionais, os importadores enfrentam maiores custos de energia, pressão sobre as contas externas e riscos de aumento da inflação. O turismo poderá igualmente ser afectado pelo encarecimento dos transportes e pela incerteza nas decisões de viagem e investimento”.

Segundo o interlocutor, um total de 20% de países africanos continuam a registar níveis elevados de inflação e mais do que um quarto representa reservas internacionais reduzidas, diminuindo assim a capacidade de resposta a novos choques económicos”.

Apontou que maior parte de governantes africanos tem estado a causar limitações financeiras devido ao alto índice de encargos com dívidas públicas.

Como forma de combater o fenómeno, a fonte disse que o FMI recomenda a execução de políticas orçamentais prudentes, maior eficiência no uso dos recursos públicos e medidas de protecção das populações em situação de vulnerabilidades, enquanto que os países com exportação de petróleo são chamados a responsabilidades na gestão das receitas extraordinárias, com vista a evitar despesas insustentáveis.

No caso concreto de Moçambique, o país é desafiado a estudar políticas sobre a importância de reforçar a estabilidade macroeconómico, a sustentabilidade da dívida pública e a capacidade de resposta as alterações dos mercados internacionais. (Virgínia Emília)