Pelo menos 15.394 migrantes regressaram da África do Sul atravessando Moçambique entre abril e julho, devido a protestos e receios relacionados com manifestações anti-imigração naquele país, segundo revela o relatório da Organização Internacional para as Migrações (OIM).
De acordo com o Inquérito de Monitorização dos Fluxos Migratórios divulgado pela instituição, esta análise específica abrangeu indivíduos que abandonaram a África do Sul num contexto de “protestos reportados e preocupações relacionadas com protecção”, incluindo pessoas em trânsito com destino ao Maláui.
O documento indica que os malauianos representaram 76% do total destes movimentos de retorno, somando 11.699 pessoas, enquanto os cidadãos moçambicanos constituíram os restantes 24%, correspondendo a 3.695 registos.
Do ponto de vista demográfico, a maioria dos retornados foi composta por homens adultos, que representaram 73% do total, ao passo que as mulheres adultas perfizeram 22% e as crianças com menos de 18 anos atingiram 5% dos movimentos observados.
No que concerne à distribuição dos moçambicanos que regressaram ao território nacional, a província de Gaza concentrou 42% dos destinos finais identificados, seguida pelas províncias de Inhambane com 18% e de Maputo com 14%.
O relatório acrescenta ainda que 74% dos migrantes afirmaram ter recebido assistência de transporte até aos respectivos destinos, enquanto 20% indicaram necessitar de apoio adicional para prosseguir viagem e 6% financiaram integralmente o regresso.
A OIM sublinha que a recolha de dados, efectuada nos postos fronteiriços de Ressano Garcia e Zóbuè, reflecte o impacto directo da violência urbana e das restrições à mobilidade na África do Sul sobre os padrões migratórios na região.



