O Tesouro Nacional da África do Sul anunciou, esta quinta-feira (5), que a revisão dos dados do Produto Interno Bruto (PIB) melhorou os principais indicadores das finanças públicas do país, incluindo a relação entre a dívida pública e a dimensão da economia. A actualização das estimativas económicas, realizada na semana passada pelo Instituto de Estatística da África do Sul (Stats SA), revelou que a economia sul-africana é cerca de 5% maior do que anteriormente calculado.

De acordo com um comunicado do Tesouro, a dívida pública atingiu um máximo equivalente a 74,6% do PIB no exercício fiscal de 2025-26, abaixo dos 78,4% apresentados na revisão orçamental de médio prazo, divulgada em Outubro. A diferença resulta da actualização da dimensão da economia, que permite reduzir o peso relativo da dívida em percentagem do PIB, sem representar necessariamente uma diminuição do montante efectivamente devido pelo Estado.

A revisão também teve impacto nas projecções do défice orçamental, que corresponde à diferença entre as despesas e as receitas do Estado. Para o exercício fiscal de 2026-27, o Governo prevê agora um défice equivalente a 3,5% do PIB, contra os 3,7% anteriormente estimados na avaliação orçamental de médio prazo.

Quanto ao saldo primário, que mede a diferença entre as receitas e as despesas públicas, excluindo os encargos com os juros da dívida, o Tesouro prevê um excedente de 1,6% do PIB em 2026-27. Este indicador deverá aumentar gradualmente, atingindo 2,8% do Produto Interno Bruto no exercício fiscal de 2029-30, segundo as projecções oficiais.

O director-geral do Tesouro Nacional, Duncan Pieterse, esclareceu que as alterações nas previsões resultam essencialmente de um ajustamento estatístico, e não de mudanças nas políticas orçamentais. Ainda assim, considerou que os novos indicadores demonstram que o Governo “continua a cumprir as suas metas orçamentais” e está a beneficiar de uma redução dos custos de financiamento.

A revisão do PIB melhora, assim, a leitura dos indicadores de sustentabilidade das finanças públicas sul-africanas, ao apresentar uma relação mais favorável entre a dívida, o défice e a dimensão da economia. Contudo, a alteração estatística não significa, por si só, que o país tenha reduzido o valor nominal da dívida pública ou aumentado as receitas do Estado.

Fonte: Reuters