O índice PMI do Standard Bank Moçambique subiu para 52,7 pontos em Outubro, o valor mais elevado desde Abril de 2022, impulsionado pelo crescimento das novas encomendas. A melhoria da procura levou as empresas a reforçar as compras a um ritmo recorde, mas a produção aumentou apenas ligeiramente e o emprego voltou a diminuir, evidenciando as limitações da recuperação.
As condições de funcionamento do sector privado melhoraram pelo quarto mês consecutivo, com o Índice de Gestores de Compras (PMI) a avançar 2,5 pontos face aos 50,2 registados em Setembro. Segundo o relatório do Standard Bank Moçambique, elaborado pela S&P Global, as novas encomendas cresceram ao ritmo mais rápido desde Junho de 2021, enquanto as compras de meios de produção registaram a maior expansão desde o início do inquérito, em Março de 2015.
O indicador sinaliza uma melhoria das condições empresariais face ao mês anterior, mas não mede directamente o volume de produção nem a taxa de crescimento da economia. A leitura de Outubro combina uma procura mais forte com sinais de fragilidade: restrições financeiras, dificuldades no abastecimento e custos crescentes continuam a limitar a resposta das empresas.
PMI Recupera em Outubro e Atinge Máximo Desde Abril de 2022
Fonte: Standard Bank Moçambique/S&P Global. Dados de Agosto, Setembro e Outubro de 2026. Valores acima de 50 pontos indicam melhoria das condições empresariais face ao mês anterior.
Construção lidera crescimento das novas encomendas
Pela primeira vez em mais de dois anos, os cinco sectores acompanhados pelo estudo registaram simultaneamente um aumento das novas encomendas, com a construção a apresentar a expansão mais acentuada.
Cerca de 29% das empresas inquiridas reportaram um aumento das encomendas, enquanto 15% assinalaram uma redução. As respostas associam a melhoria à conquista de novos clientes, ao lançamento de produtos e ao reforço da presença comercial.
A produção voltou a crescer depois da contracção de Setembro, mas a recuperação foi ligeira. Algumas empresas identificaram a insuficiência de capital de exploração, a escassez de materiais e a concorrência como obstáculos à expansão.
A diferença entre o dinamismo das encomendas e a resposta mais limitada da produção constitui um dos principais sinais do inquérito: a procura está a melhorar, mas as empresas continuam a enfrentar dificuldades para a transformar em actividade adicional.
Compras em ritmo recorde, contratação ainda condicionada
Para responder às novas encomendas e repor existências, as empresas intensificaram a aquisição de matérias-primas e outros meios de produção. Cerca de 31% aumentaram as compras em Outubro, enquanto 7% as reduziram. Estas percentagens representam a proporção de empresas que reportaram alterações, não a variação do volume adquirido.
As existências aumentaram pelo quarto mês consecutivo, ao ritmo mais elevado desde Julho de 2022. Em paralelo, os prazos de entrega dos fornecedores alongaram-se ligeiramente, num contexto de maior procura e escassez de determinados produtos.
Aumento das Encomendas Impulsiona Compras das Empresas
Fonte: PMI do Standard Bank Moçambique, Outubro de 2026. Percentagem de empresas que registaram aumentos ou reduções
O reforço das compras não foi acompanhado por um aumento do emprego. O número de trabalhadores diminuiu pela terceira vez nos últimos quatro meses, embora ligeiramente, com algumas empresas a apontarem dificuldades financeiras como entrave à contratação.
Ao mesmo tempo, as encomendas em atraso aumentaram pela primeira vez em quatro meses. Apesar de ligeira, a acumulação foi a mais rápida desde Junho de 2025, sinalizando maior pressão sobre a capacidade de resposta das empresas.
Custos sobem e pressionam preços de venda
A recuperação da procura foi acompanhada pelo agravamento dos custos. Os preços de aquisição aumentaram ao ritmo mais elevado desde meados de 2022, enquanto a subida dos custos globais dos factores de produção atingiu um máximo de três meses.
As empresas referiram pressões associadas aos combustíveis, transportes e importações. Parte destes encargos foi repercutida nos preços de venda, embora a concorrência tenha limitado os ajustamentos em alguns mercados.
A evolução coloca as empresas perante uma dificuldade adicional: financiar o reforço das operações num momento em que os meios necessários à produção estão mais caros.
Standard Bank associa optimismo aos projectos de gás
Apesar destes constrangimentos, 77% das empresas esperam aumentar a produção nos próximos 12 meses e apenas 1% antecipa uma redução. A confiança recuou ligeiramente face a Setembro, mas permaneceu próxima do máximo de quase nove anos alcançado nesse mês.
As expectativas assentam em planos de abertura de unidades, investimento em equipamentos e tecnologia, reforço de existências e novas parcerias. São intenções para o próximo ano, distintas dos resultados de actividade já observados.
Na avaliação do economista-chefe do Standard Bank Moçambique, Fáusio Mussá, os progressos nos projectos de gás natural liquefeito poderão ajudar a sustentar a procura de bens e serviços nos próximos 12 meses. O economista admite que essa perspectiva contribua para o optimismo empresarial, mas considera que a queda do emprego continua a revelar uma recuperação frágil.
Entre os obstáculos, identifica a reduzida margem financeira do Estado para aumentar o investimento público, as dificuldades de financiamento e os desequilíbrios entre a oferta e a procura de divisas, que condicionam o crédito e o investimento fora da indústria extractiva.
Como ler o PMI
O PMI reúne indicadores de novas encomendas, produção, emprego, prazos de entrega e existências de meios de produção. Valores superiores a 50 pontos sinalizam melhoria das condições empresariais face ao mês anterior; valores inferiores indicam deterioração. O índice não corresponde a uma taxa de crescimento do PIB nem permite concluir que o volume de produção atingiu um máximo histórico.





