O Reino Unido e o Fundo das Nações Unidas para a População (UNFPA) defendem que Moçambique deve reforçar a utilização de dados demográficos na definição de políticas públicas e alinhar o desenvolvimento de competências dos jovens com as necessidades do mercado de trabalho, de modo a transformar o crescimento populacional em oportunidades de emprego e crescimento económico. As posições foram apresentadas esta quarta-feira (4), em Maputo, durante a Conferência sobre População e Desenvolvimento em Moçambique.

A alta-comissária adjunta do Reino Unido, Louise Walker, considerou que a existência de uma população maioritariamente jovem não garante, por si só, o aproveitamento do dividendo demográfico. “Precisamos de saber onde estão os jovens, de que competências precisam e de onde podem surgir os empregos do futuro”, disse, defendendo que os dados demográficos permitem aproximar as pessoas das oportunidades e orientar os investimentos em função das necessidades e do potencial do País.

Walker destacou o apoio do Reino Unido à produção e análise de informação demográfica em Moçambique, recordando a colaboração com o Instituto Nacional de Estatística (INE) nas análises temáticas do Censo Geral da População e Habitação de 2017, bem como o Programa de Transição Demográfica, lançado em 2021. A responsável referiu ainda que estes dados contribuíram para a elaboração da Estratégia Nacional de Desenvolvimento 2025-44 e do Programa Quinquenal do Governo 2025-29, sublinhando a importância do próximo censo, previsto para 2027.

A representante britânica acrescentou que a cooperação entre os dois países deverá reforçar a mobilização de investimentos e apoiar reformas económicas, com foco na diversificação da economia e no desenvolvimento de sectores e cadeias de valor capazes de gerar emprego em grande escala. “Com melhores dados, podemos ajudar a transformar o potencial de uma população jovem em crescimento, investimento e emprego”, afirmou.

Por sua vez, a directora regional adjunta do UNFPA para África Oriental e Austral, Wong Young Hong, considerou que o desenvolvimento do capital humano deve estar directamente ligado à criação de empregos produtivos. “Não se trata apenas da educação, mas de ligar o desenvolvimento de competências à industrialização, à transformação agrícola, à diversificação da economia e ao empreendedorismo”, afirmou, apontando estas áreas como fundamentais para permitir que os jovens contribuam para o crescimento económico e dele beneficiem.

A responsável do UNFPA apontou ainda o investimento nas raparigas, a permanência na escola, o combate às uniões prematuras, a prevenção da gravidez na adolescência e o acesso voluntário ao planeamento familiar como prioridades para ampliar as oportunidades económicas das mulheres. Pediu igualmente financiamento nacional sustentável, investimentos orientados para resultados e atenção às comunidades mais vulneráveis, considerando indispensável a existência de “dados oportunos, fiáveis e de elevada qualidade”.

Wong Young Hong sustentou que as recomendações da Conferência devem traduzir-se num roteiro com metas mensuráveis, responsabilidades claras, prazos definidos e financiamento integrado nos planos e orçamentos nacionais. “A janela de oportunidade demográfica não ficará aberta para sempre. O futuro de Moçambique depende das decisões que tomamos hoje”, alertou, apelando ao investimento na juventude para garantir a prosperidade das próximas gerações.

Texto: Alfredo Ubisse