Os democratas conquistaram as duas câmaras do Congresso norte-americano nas eleições intercalares de terça-feira, 3 de Novembro, alcançando vitórias surpreendentes em estados republicanos e impondo uma pesada derrota política ao Presidente Donald Trump.

A dimensão da vitória, confirmada pelas projecções dos principais órgãos de comunicação social norte-americanos, superou as expectativas do partido Democrata, que recuperou o controlo do Senado e da Câmara dos Representantes, até agora dominados pelos republicanos.

Os resultados representam uma mudança profunda no equilíbrio político em Washington e obrigarão Trump a enfrentar um Congresso controlado pela oposição durante os últimos dois anos do seu mandato presidencial.

Segundo os dados provisórios divulgados durante a madrugada, os democratas tinham assegurado pelo menos 54 lugares no Senado e 225 na Câmara dos Representantes, ultrapassando as maiorias necessárias em ambas as câmaras, embora várias disputas continuem sem vencedor declarado.

A conquista do Senado constituiu a maior surpresa da noite eleitoral, depois de os democratas retirarem aos republicanos pelo menos sete lugares, incluindo em estados tradicionalmente conservadores como Texas, Kansas, Carolina do Sul, Ohio e Iowa.

Na Câmara dos Representantes, os democratas conquistaram mais de duas dezenas de círculos anteriormente republicanos, incluindo alguns onde Trump tinha vencido as Presidenciais de 2024 por margens superiores a dez pontos percentuais, segundo a Associated Press.

A nova maioria permitirá aos democratas controlar as comissões parlamentares, investigar a administração presidencial e bloquear iniciativas legislativas republicanas, enquanto o controlo do Senado lhes dará capacidade para travar nomeações presidenciais.

O líder dos democratas no Senado, Chuck Schumer, saudou uma vitória que considerou extraordinária e prometeu uma mudança nas prioridades políticas em Washington.

“Contra todas as expectativas, nós, democratas, conquistámos o Senado”, declarou Schumer, acrescentando que “o alívio está a caminho” para as famílias norte-americanas.

O senador de Nova Iorque afirmou que os resultados representam uma transformação geracional do mapa político do Senado e advertiu que os democratas terão agora de responder às expectativas dos eleitores.

Trump atribui derrota à guerra no Irão e ao custo de vida

Donald Trump felicitou os democratas, mas procurou distanciar-se da derrota republicana, atribuindo parte da responsabilidade à guerra no Irão e ao desempenho dos candidatos do seu partido. “Acho que uma parte foi o Irão”, declarou numa entrevista à Fox News, defendendo, contudo, a importância das decisões que tomou relativamente ao conflito.

O Presidente admitiu também que os eleitores não estavam dispostos a suportar as consequências imediatas do aumento dos preços dos combustíveis, provocado pela guerra.

Trump afirmou que os democratas “fizeram um bom trabalho”, mas rejeitou que os resultados representem uma condenação pessoal da sua Presidência. “Eu não estava no boletim de voto e, se estivesse, teríamos vencido por uma margem esmagadora”, escreveu na rede social Truth Social.

O Presidente disse estar disponível para trabalhar com os democratas, embora tenha avisado que utilizará o veto presidencial para impedir a aprovação de legislação que considere inaceitável.

A vitória democrata estendeu-se às eleições para governadores estaduais, com resultados particularmente significativos no Texas, onde Gina Hinojosa derrotou o republicano Greg Abbott, e na Geórgia, onde Keisha Lance Bottoms se tornou a primeira mulher negra eleita governadora de um estado norte-americano.

Insatisfação com o custo de vida

A insatisfação com o custo de vida, a guerra no Irão e as preocupações com a corrupção governamental estiveram entre os principais factores apontados para o resultado das eleições.

Segundo sondagens à boca das urnas citadas por vários meios de comunicação social, quase nove em cada dez eleitores consideraram o custo de vida importante para a decisão de voto e cerca de 70% defenderam que o Congresso deve exercer maior controlo sobre o Presidente.

O novo Congresso tomará posse em Janeiro, iniciando um período de governação dividida em Washington, no qual Trump terá de negociar com uma oposição que passou a controlar o poder legislativo federal.

Fonte: Lusa