O Governo do Zimbabué lançou um projecto nacional de 14,33 milhões de dólares, financiado pelo Fundo para Pandemias (Pandemic Fund), destinado a reforçar a segurança sanitária, através da melhoria da detecção precoce de doenças, do diagnóstico laboratorial, da capacitação dos profissionais e da preparação e resposta a emergências nos sectores da saúde humana, animal e ambiental.

O projecto, com duração de três anos (2026–28), contará com 49 milhões de dólares em co-financiamento de parceiros e 91,8 milhões de dólares em co-investimento do Governo. Estas categorias de financiamento são distintas e reflectem o apoio mais amplo ao reforço da capacidade do Zimbabué na prevenção e resposta a pandemias. Os investimentos deverão permitir identificar e responder a ameaças emergentes antes que estas se agravem, reforçando simultaneamente a coordenação entre instituições e serviços essenciais.

Liderada pelo Governo do Zimbabué, a iniciativa será implementada pelo Grupo Banco Africano de Desenvolvimento (BAD), pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) e pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), em colaboração com ministérios e outros parceiros nacionais e internacionais. O projecto contempla cinco áreas de intervenção, incluindo o reforço da vigilância epidemiológica e dos sistemas de alerta precoce, com recurso a ferramentas digitais, estações meteorológicas e mecanismos de monitorização comunitária, bem como a criação de cinco centros de operações de emergência em saúde pública.

No domínio laboratorial, o programa prevê a modernização de 25 laboratórios, dos quais cinco nacionais e 20 subnacionais, com vista a melhorar o diagnóstico rápido, os testes de resistência antimicrobiana, a sequenciação genómica, a biossegurança e a gestão da qualidade. Mais de 10 mil profissionais dos sectores relevantes deverão receber formação em vigilância integrada de doenças, preparação para emergências, comunicação de riscos e envolvimento comunitário. Estão igualmente previstas simulações anuais de emergência, avaliações de riscos e o reforço da coordenação nos pontos de entrada do país.

A iniciativa contempla ainda mecanismos de monitorização liderados pelas comunidades, campanhas de sensibilização multilingues e plataformas digitais de aprendizagem, com o objectivo de alcançar até dois milhões de pessoas. O Zimbabué participa também numa iniciativa regional distinta do Fundo para Pandemias, implementada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que abrange oito países da África Austral e dispõe de cerca de 35,8 milhões de dólares para reforçar os sistemas de alerta precoce sensíveis ao clima, os laboratórios, a capacidade dos profissionais e a coordenação transfronteiriça.

Na cerimónia de lançamento, o ministro da Saúde e dos Cuidados Infantis, Douglas Mombeshora, afirmou que, no âmbito da Visão 2030 e da implementação da Estratégia Nacional de Desenvolvimento 2, “a protecção da saúde pública deve ser reconhecida como um imperativo fundamental do desenvolvimento nacional, essencial para salvaguardar os nossos meios de subsistência, a economia e os serviços públicos”.

O governante acrescentou que, perante ameaças sanitárias que ultrapassam fronteiras administrativas e internacionais, a preparação para pandemias exige uma abordagem de todo o Governo e de toda a sociedade, através do conceito de “Uma Só Saúde”, integrando os sectores da saúde humana, animal, agricultura, ambiente, investigação e privado.

A representante do UNICEF no Zimbabué, Etona Ekole, destacou a importância de colocar as comunidades, sobretudo as crianças e os grupos vulneráveis, no centro dos sistemas de resposta.

“Os primeiros sinais de um surto são frequentemente detectados não num laboratório, mas numa comunidade”, afirmou, acrescentando que a preparação passa também pelo acesso das famílias a informação credível, pela capacitação das comunidades e pela continuidade dos serviços essenciais de saúde.

“O projecto, com duração de três anos (2026–28), contará com 49 milhões de dólares em co-financiamento de parceiros e 91,8 milhões de dólares em co-investimento do Governo”

Por sua vez, a responsável do BAD no Zimbabué, Eyerusalem Fasika, considerou que a concessão do financiamento representa uma mudança decisiva de uma abordagem reactiva para uma protecção preventiva, permitindo identificar e conter ameaças antes que estas se agravem.

O coordenador sub-regional da FAO para a África Austral e representante da organização no Zimbabué, Patrice Talla, afirmou que muitos agentes patogénicos com potencial pandémico surgem na interacção entre seres humanos, animais e ambiente. “Este investimento reforçará a capacidade do Zimbabué para detectar, prevenir e responder às ameaças onde estas surgem, através de sistemas de saúde animal mais robustos, vigilância integrada e aplicação da abordagem ‘Uma Só Saúde’”, declarou.

O responsável reafirmou o compromisso da FAO em apoiar o Governo e os parceiros na construção de uma maior resiliência para proteger vidas, meios de subsistência e sistemas alimentares.

O representante da OMS no Zimbabué, Desta A. Tiruneh, considerou que os investimentos permitirão transformar as lições da pandemia da covid-19 e de outras emergências sanitárias em sistemas mais robustos e maior protecção para as comunidades. “Ao reunir os sectores da saúde humana, animal e ambiental, podemos detectar ameaças mais cedo e responder mais rapidamente, com as comunidades como parceiras essenciais na preparação e resposta”, afirmou.

Fonte: BAD