O ministro da Saúde, Ussene Isse, considera que o incêndio que deflagrou este domingo, 1 de Novembro, no Serviço de Oncologia do Hospital Central de Maputo (HCM) representa um grande retrocesso para o País, numa altura em que Moçambique registava avanços na expansão dos cuidados de saúde na área do cancro. O governante reconheceu a gravidade do incidente, mas afirmou que a prioridade é garantir a segurança dos pacientes e a continuidade dos tratamentos.
Falando no local, Ussene Isse explicou que todos os doentes foram retirados em segurança e transferidos para outra enfermaria, onde deverão continuar a receber assistência médica. O ministro garantiu que as autoridades estão a trabalhar para evitar interrupções no atendimento e assegurar a disponibilidade de medicamentos. “O mais importante é a continuidade dos serviços e nós estamos preparados e tudo faremos para que ninguém fique para trás e ninguém tenha falta de medicamentos nesta área da oncologia”, afirmou.
Ussene Isse acrescentou que as autoridades competentes vão avaliar os danos e elaborar um relatório para definir as medidas necessárias à recuperação dos serviços afectados. O levantamento deverá permitir identificar as intervenções a realizar para que a assistência na área da oncologia seja retomada o mais rapidamente possível.
Por sua vez, a directora-geral do Hospital Central de Maputo, Farida Urci, explicou que o incêndio foi detectado por volta das 7h10, depois de uma enfermeira de serviço ter sentido cheiro a fumo. Ao procurar a origem, a profissional encontrou uma situação mais grave, acompanhada de pequenas explosões.
A enfermeira alertou imediatamente os pacientes, o que permitiu retirar todos os doentes da enfermaria antes de as chamas se alastrarem. Farida Urci confirmou que não houve vítimas mortais e informou que, até à noite de sábado, a unidade acompanhava 22 pacientes internados.
Em relação aos prejuízos, Farida Urci considerou prematuro avançar com uma avaliação, uma vez que ainda é necessário aguardar pelas investigações e pelo levantamento dos danos. A directora-geral prevê que, na próxima semana, seja possível apresentar uma estimativa mais concreta dos custos e da dimensão das perdas.
Incêndio exige recuperação urgente dos serviços
O presidente do Conselho Municipal de Maputo, Rasaque Manhique, considera que o incêndio representa uma tragédia para o País, tendo em conta que os serviços de Oncologia do Hospital Central de Maputo são os únicos do género e prestam assistência a milhares de doentes. O edil manifestou solidariedade para com a unidade hospitalar e defendeu uma intervenção urgente para recuperar os serviços afectados.
Rasaque Manhique apelou à mobilização de recursos internos do Governo e ao apoio dos parceiros de cooperação para viabilizar a recuperação. O edil lamentou que o incêndio tenha atingido um sector que, segundo afirmou, já enfrentava dificuldades de funcionamento devido à falta de medicamentos e de condições de atendimento. Ainda assim, sublinhou que a prioridade foi salvar vidas antes de avaliar os danos materiais.
O Serviço Nacional de Salvação Pública confirmou que o incêndio começou no interior do edifício da Oncologia e se propagou para a parte exterior. Segundo os bombeiros, a parte superior do edifício foi totalmente consumida pelas chamas, mas a rápida intervenção das equipas de socorro impediu que o fogo atingisse outros compartimentos.
A parte térrea do edifício, onde funciona o serviço de Radioterapia, não foi afectada, não havendo registo de danos nos equipamentos e materiais dessa área. As causas do incêndio permanecem desconhecidas, estando prevista uma avaliação técnica para apurar as circunstâncias em que o fogo começou.
Fonte: Jornal O País





